Oficinas de Qualificação para o Implanon
O Ministério da Saúde deu início à segunda fase das oficinas voltadas para a qualificação de profissionais na inserção do Implanon, um implante contraceptivo subdérmico que contém etonogestrel, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é capacitar cerca de 11 mil médicos e enfermeiros para expandir a oferta desse método nas unidades de saúde pública. As oficinas abrangem 32 treinamentos em todo o país, priorizando municípios com populações abaixo de 50 mil habitantes. Recentemente, as capacitações ocorreram em cidades como Vitória (ES), João Pessoa (PB) e Recife (PE).
As oficinas são realizadas de forma presencial e misturam teoria e prática, utilizando simuladores anatômicos sob supervisão de facilitadores do Ministério da Saúde. A carga horária das formações foi aumentada para 12 horas para enfermeiros e 6 horas para médicos, com um enfoque no aprendizado de práticas seguras e no atendimento às normativas profissionais. Durante as sessões, há espaço para diálogo com gestores estaduais e municipais, visando facilitar a implementação do Implanon nas regiões atendidas.
Distribuição de Implantes e Ação do SUS
Em 2025, o Ministério da Saúde planejou a distribuição de 500 mil unidades do Implanon em todos os estados, priorizando cidades com mais de 50 mil habitantes e que apresentam critérios de vulnerabilidade social. Para o ano seguinte, a meta é entregar mais 1,3 milhão de implantes, sendo que 290 mil já foram enviados. Ao todo, está programada a distribuição de 1,8 milhão de unidades, com o intuito de fortalecer o planejamento reprodutivo no Brasil. Na esfera privada, o custo do método pode chegar a até R$ 4 mil.
A realização das novas oficinas marca um passo importante na implementação do Implanon no SUS, com o intuito de qualificar os profissionais não apenas para a inserção e retirada dos implantes, mas também para lidar com eventuais intercorrências. Além disso, as capacitações buscam reforçar a conduta nas consultas em saúde sexual e reprodutiva, adotando uma abordagem abrangente que inclui direitos sexuais e reprodutivos, dignidade menstrual e enfrentamento ao racismo.
Primeira Fase e Impacto da Iniciativa
A primeira fase das oficinas ocorreu entre outubro e dezembro de 2025, abrangendo 27 estados com um total de 30 oficinas. Segundo Luciane da Silva d’Avila, enfermeira obstétrica e presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiras Obstétricas, essa estratégia representa um avanço significativo na autonomia e no cuidado às mulheres no SUS. “A inserção do Implanon realizada por profissionais capacitados é fundamentada em evidências e na escuta respeitosa das escolhas das usuárias”, afirmou.
Ezequiel Martins, enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família em Brasília, enfatizou que a formação abrange aspectos que vão além da técnica: “As discussões sobre políticas públicas e direitos sexuais e reprodutivos proporcionaram mais segurança para o procedimento”, ressaltou.
No total, cerca de 2,9 mil profissionais e gestores participaram dessa fase inicial, alcançando 682 municípios. Aproximadamente 1,8 mil médicos e enfermeiros foram capacitados para a inserção e retirada do Implanon.
Sobre o Implanon e Métodos Contraceptivos
O Implanon, um implante subdérmico, é um método eficaz e de longa duração para prevenção de gravidez indesejada, podendo atuar por até três anos. Após esse período, o implante deve ser removido, e um novo pode ser inserido imediatamente se desejado, sempre pelo SUS. A fertilidade geralmente retorna rapidamente após a remoção do implante.
Esse método se soma a outros contraceptivos disponíveis gratuitamente no SUS, como preservativos, dispositivos intrauterinos (DIU), anticoncepcionais orais, pílulas de emergência, laqueadura tubária e vasectomia. O Ministério da Saúde também ressalta que apenas os preservativos oferecem proteção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).
