Protestos em Defesa do Samu
Belo Horizonte – Em uma demonstração de união e preocupação, profissionais da saúde realizaram uma vigília na frente da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), na noite da última quinta-feira (30/4). O objetivo da manifestação foi defender a continuidade das equipes completas que atuam nas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em resposta ao anúncio da prefeitura sobre o desligamento de funcionários.
A PBH, por meio de um comunicado, esclareceu que em 2020, em virtude da pandemia de Covid-19, foram incorporados 33 profissionais às equipes do Samu, através de contratos temporários. Contudo, esses contratos foram encerrados sem possibilidade de renovação, conforme o previsto para o dia da manifestação.
Com os cortes, cada unidade básica do Samu passará a operar com um único técnico de enfermagem, diminuindo a equipe que, até então, contava com dois profissionais. A gestão municipal justifica essa mudança afirmando que a nova configuração já é uma prática comum em outras regiões do Brasil.
A manifestação começou em frente à sede da Prefeitura e posteriormente os participantes realizaram uma caminhada pelas ruas do Centro de BH. O objetivo era sensibilizar a população sobre os impactos que a redução de pessoal pode ocasionar nos serviços de saúde. Após a caminhada, os profissionais permaneceram em vigília durante toda a noite, realizando momentos de oração e discussões sobre a situação enfrentada.
Os representantes da categoria destacaram que o Samu já enfrenta desafios sérios, como uma alta demanda, um número insuficiente de ambulâncias e equipes que operam sob intensa pressão. Segundo nota divulgada, “o Samu já enfrenta desafios estruturais, como alta demanda, número limitado de ambulâncias e equipes que atuam sob constante pressão”.
Implicações da Redução de Equipes
A conselheira Estadual de Saúde, Érika Santos, ressaltou que o Samu foi criado em 2003 e desde 2013 opera com duas equipes de técnicos de enfermagem e um condutor. Ela alertou que, em determinadas situações, a operação apenas com um técnico de enfermagem é inviável, uma vez que isso pode comprometer o atendimento de emergência. “Há ocorrências que precisamos de dois técnicos. Posso citar como exemplo para fazer um rolamento de paciente, casos de parada cardiorrespiratória e remoção rápida de vítimas de dentro do veículo”, explicou.
Érika também enfatizou as limitações do condutor de veículos de emergência, que não é habilitado para prestar assistência médica de forma plena. A diretora do sindicato dos servidores da saúde de BH, Núbia Dias, complementou que a diminuição das equipes impacta diretamente em diversos serviços de transporte sanitário, inter-hospitalar e no próprio Samu. “Afeta todos os tipos de transporte, seja ele transporte sanitário, seja ele inter-hospitalar ou seja ele o Samu”, advertiu.
Ação Judicial Contra os Cortes
A situação ganhou um novo desdobramento com a ação civil pública movida pelo Ministério Público de Minas Gerais. A Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de BH ajuizou o pedido de tutela de urgência com o intuito de barrar a redução das equipes do Samu, após o não-renovação dos contratos temporários. Essa medida foi registrada na terça-feira (28/4), um dia antes da manifestação.
Em resposta, a PBH confirmou a implementação dos cortes, informando que, a partir do dia 1º de maio, 677 profissionais estarão distribuídos em 28 ambulâncias do Samu, sendo 22 Unidades de Suporte Básico (USB) e 6 Unidades de Suporte Avançado (USA). Cada uma das 13 USBs contará com um técnico de enfermagem por plantão, enquanto as outras 9 ambulâncias terão dois técnicos a cada turno.
