El Niño oficialmente em curso e com potencial para se intensificar
O fenômeno climático conhecido como El Niño, que eleva as temperaturas médias globais, teve seu início confirmado pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) nesta quinta-feira (11). A agência climática dos Estados Unidos, referência mundial em monitoramento climático, indicou que o evento, esperado para 2026, já está em andamento e deve se fortalecer nos próximos meses, podendo alcançar a categoria de “Super El Niño”.
Previsões e impactos globais do fenômeno
De acordo com a NOAA, há cerca de 63% de chance de que o El Niño atinja uma intensidade considerada “muito forte” entre 2026 e 2027. Caso isso se confirme, o fenômeno poderá provocar um aumento significativo na ocorrência de desastres naturais, incluindo enchentes, incêndios florestais, deslizamentos de terra e tempestades severas. O El Niño é um fenômeno cíclico que se manifesta a cada 2 a 7 anos e influencia os padrões de chuva e temperatura em várias regiões do mundo, incluindo o Brasil.
Como o El Niño se forma e sua classificação
O fenômeno ocorre devido ao aquecimento anormal das águas equatoriais do Oceano Pacífico. Quando a temperatura dessa região ultrapassa 0,5 ºC acima da média esperada por vários meses seguidos, os cientistas confirmam o início do El Niño. A intensidade do evento está diretamente ligada à elevação da temperatura oceânica. Caso o aquecimento ultrapasse 2 ºC, o fenômeno é classificado como “muito forte” e recebe o apelido informal de “Super El Niño”. Essa é a possibilidade que os especialistas apontam para os próximos meses.
Leia também: El Niño em Formação no Pacífico: Prepare-se para Calor Extremo e Eventos Climáticos Intensos
Fonte: feirinhadesantana.com.br
Leia também: El Niño Pode Transformar 2027 no Ano Mais Quente Já Registrado, Afirma Centro Europeu
Fonte: bh24.com.br
Histórico e riscos associados ao fenômeno
Se confirmado, o El Niño de 2026 entrará para o seleto grupo dos eventos mais intensos das últimas cinco décadas, ao lado dos de 1982-83 e 1997-98. O último El Niño, entre 2023 e 2024, já teve efeitos graves, como as enchentes recordes no Rio Grande do Sul, a seca e fome no sul da África, além de ter contribuído para que 2024 se tornasse um dos anos mais quentes já registrados. Entretanto, aquele evento não foi classificado como “Super El Niño” pela maioria das instituições climáticas. O mais recente “Super El Niño” ocorreu entre 2015 e 2016.
Complexidades na previsão do El Niño
A previsão da data exata e da intensidade do El Niño ainda apresenta incertezas, motivo pelo qual as instituições utilizam probabilidades para comunicar as projeções. Diferentes metodologias podem levar a variações nos resultados das análises, que são atualizadas conforme novas observações em tempo real.
Relação entre El Niño, La Niña e aquecimento global
O El Niño faz parte de um ciclo natural que alterna com a La Niña, caracterizada pelo resfriamento das águas do Pacífico, além de períodos neutros sem a presença dos dois fenômenos. Apesar dessa alternância se repetir há milênios, o aquecimento global provocado pela ação humana tem agravado as consequências do El Niño, tornando os eventos extremos mais frequentes e intensos.
Impactos previstos do Super El Niño no Brasil
Embora os efeitos exatos no Brasil sejam difíceis de prever, padrões observados nas últimas décadas indicam possíveis mudanças climáticas regionais associadas a um Super El Niño. O país pode enfrentar aumento das temperaturas médias e episódios de ondas de calor em grande parte do território.
No Sul, é esperado um aumento expressivo das chuvas, elevando o risco de enchentes e outros eventos extremos. Já no Norte, a tendência é de redução das precipitações, especialmente na região mais ao norte, o que pode aumentar a ocorrência de secas e incêndios florestais. O Nordeste também deve registrar diminuição das chuvas em sua metade norte.
Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, os impactos climáticos tendem a ser mais variáveis, mas geralmente incluem elevação das temperaturas e das chuvas. Essas alterações podem afetar setores como o agronegócio, disponibilidade hídrica e a geração de energia elétrica, com desdobramentos diretos para a economia e a sociedade brasileiras.
