Uma Noite de Música e Memórias
No último sábado, 14 de março, o cantor e compositor Alceu Valença deu início à turnê ‘80 girassóis’ na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro. Às vésperas de completar 80 anos, Alceu encantou o público com uma apresentação repleta de emoção e nostalgia, refletindo sobre sua trajetória musical desde que chegou à cidade em 1971.
O espetáculo começou com a enérgica ‘Agalopado’ (1977), introduzindo o público em uma jornada musical que misturou sucessos e memórias. Momentos marcantes surgiram ao longo da performance, como a evocação à lua em ‘Táxi Lunar’, onde os celulares iluminados a pedido do artista transformaram a arquibancada em um céu estrelado.
Durante aproximadamente duas horas de show, Valença demonstrou que, apesar dos anos, sua voz permanece vibrante e seu espírito jovem continua a contagiar. Porém, o que se viu nesta estreia foi uma apresentação com um ritmo diferenciado, onde, embora o público tenha sido muito receptivo, a catarse apreciada em outras performances do cantor não se fez tão presente. Algumas intervenções do artista no meio das canções, especialmente antes e depois de ‘Táxi Lunar’, criaram momentos de embolação que podem ter interrompido o fluxo do espetáculo, mas nada que comprometesse a experiência geral.
Jazz, Forró e a Magia do Cenário
O cenário, assinado pelo artista plástico Zé Carratu, trouxe à tona a essência nordestina de Valença, destacando-se pela beleza das projeções e figurações. A apresentação continuou com clássicos como ‘Pagode Russo’ e ‘Sabiá’, ambas influenciadas pela obra de Luiz Gonzaga, cujo legado é palpável na música de Alceu. O toque de guitarra de Zi Ferreira em ‘Sabiá’ adicionou uma nova dimensão à faixa, enquanto ‘Flor de Tangerina’ fez o público vibrar, com Alceu demonstrando sua sensibilidade ao entoar os versos com emoção à flor da pele.
O ritmo variado do show, alternando entre forrós, xotes e baladas, fez com que a plateia se sentisse em uma verdadeira festa. Alceu puxou ‘Ciranda da Rosa Vermelha’, levando os presentes a uma viagem pelas águas de Pernambuco, enquanto improvisava versos que despertaram sorrisos e aplausos. O cantor, sem perder a energia, destacou-se ao tocar ‘Cavalo de Pau’ e ‘Estação da Luz’, trazendo à tona a euforia característica de suas apresentações.
Uma Homenagem à Música Brasileira
Entre as homenagens, a apresentação de ‘Elefante de Olinda’ foi especialmente tocante, onde uma imagem de Paulo Rafael, um dos guitarristas mais célebres da carreira de Valença, foi projetada. A música não apenas celebrou a amizade, mas também a rica história musical de Alceu, que continua crescendo e se reinventando. ‘Olinda’ e ‘Bicho Maluco Beleza’ seguiram na sequência, reiterando a relação do cantor com sua terra natal e o Carnaval, transformando a arena em um verdadeiro carnaval fora de época.
O setlist se desenrolou com músicas que atravessaram décadas, e a costura feita por Alceu na escolha das canções foi impecável. ‘Cabelo no Pente’ e ‘Pelas Ruas que Andei’ trouxeram uma nostalgia envolvente, enquanto ‘Tesoura do Desejo’ e ‘La Belle de Jour’ completaram a sensação de viagem musical no tempo.
No gran finale, clássicos como ‘Anunciação’ e ‘Tropicana’ trouxeram o encerramento com chave de ouro, fazendo o público se levantar em aplausos e pedidos de bis. Este lançamento de ‘80 girassóis’ foi, sem dúvida, um espetáculo que reafirmou a força e a relevância de Alceu Valença na música brasileira, uma verdadeira celebração de suas conquistas e do seu legado musical.
A turnê ainda promete levar essa experiência por todo o Brasil, mantendo a chama da cultura nordestina acesa e celebrando a trajetória de um dos maiores ícones da música nacional.
