Análise do BH à Porter e o Impacto no Setor de Moda
A moda em Belo Horizonte está em constante transformação, e esse ritmo acelerado se reflete na frequência de lançamentos e na agilidade dos negócios relacionados à pronta-entrega. Recentemente, a Coopermoda organizou mais uma edição do evento BH à Porter, que aconteceu em colaboração com empresas e consultores do setor, buscando dar visibilidade e apoio às coleções de inverno.
O evento contou com a participação de 46 fábricas e convidou 135 lojistas de várias partes do Brasil para conhecer as novidades, oferecendo passagens e hospedagem gratuitas através do projeto comprador. No entanto, apesar dos números positivos, o cenário preocupa, como destaca Ivete Maria Dantas, presidente da Coopermoda. “O comportamento do cliente atualmente é cauteloso. Ele tende a comprar menos, avaliando o giro dos produtos antes de decidir novas aquisições, sempre atento aos preços”, explica Ivete, ressaltando que, mesmo assim, o evento trouxe resultados satisfatórios.
É importante considerar que o inverno apresenta sempre um desafio a mais para o setor, especialmente no hemisfério sul. Para quem trabalha com pronta-entrega, a estratégia e o timing são cruciais para evitar a sobrecarga de estoque. A instabilidade econômica também influenciou o planejamento do BH à Porter, reduzindo de 80 para 46 o número de marcas participantes nesta edição. Isso impediu a realização do tradicional Salão de Negócios, que costuma ser um importante ponto de visibilidade, especialmente para pequenas empresas.
Ivete enfatiza a relevância desse salão: “É uma excelente oportunidade para os lojistas, que se hospedam no hotel, conhecerem as novas coleções e marcas. A circulação no local propicia um bom networking e, consequentemente, boas vendas. Porém, para que o evento seja viável, precisamos de um número expressivo de participantes.” Para a próxima edição, programada para a temporada de verão, a Coopermoda vai se empenhar em reativar essa ação.
Bárbara Maciel, estilista e proprietária da B.Bouclé, também sentiu a ausência do salão. “A vitrine que ele oferece é fundamental para o resultado final da minha marca. É essencial que os clientes vejam e toquem nas peças, especialmente porque nossa coleção é muito visual e baseada em detalhes. Apesar disso, o BH à Porter é valioso para movimentar o mercado”, comenta Bárbara.
Renata Moreira, da marca Annie Pestana, avalia que, apesar da cautela nas compras, esta edição foi uma das melhores. “Além de atender nossos clientes fiéis, consegui abrir novos contatos, o que é fundamental para nós. Entre os destaques, estão os vestidos florais românticos e as peças de alfaiataria, que são sempre procuradas no inverno”, diz Renata.
Aqueles que acompanharam as tendências para a estação outono-inverno percebem que a alfaiataria se destaca com cortes precisos e recursos contemporâneos. Essa combinação resulta em looks elegantes e funcionais, que permitem ousar no estilo, como um paletó alinhado com calças de paetês. A paleta de cores desta temporada se destaca pelos tons terrosos, beges e verdes profundos, além dos clássicos preto e branco.
