Painel apresenta inovações na saúde
No último dia 27 de março, a Secretaria da Saúde (SES) do Rio Grande do Sul organizou um painel intitulado “Inovações na Saúde” durante o South Summit Brazil (SSB) 2026. O encontro abordou os avanços significativos promovidos pela Rede Bem Cuidar (RBC) e pelo Programa Saúde 60+ RS. Com mediação da secretária-adjunta Ana Costa, o painel também discutiu a inovação no combate ao Aedes aegypti e a implementação de um aplicativo de mensagens voltado à prevenção do HIV. O South Summit Brazil é um dos eventos mais proeminentes de inovação do país, co-realizado pelo governo do Estado.
Entre as painelistas, destacaram-se Letícia Ikeda, do Departamento de Gestão dos Hospitais Estaduais, Marilise Fraga, do Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde, e a bióloga Paola Morais, da Divisão de Vigilância Ambiental do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs).
Potencializando a Rede Bem Cuidar e o Saúde 60+ RS
A Rede Bem Cuidar é um programa que abrange 707 equipes em 497 municípios do estado, focando na melhoria e fortalecimento dos serviços de atenção primária à saúde. O programa promove a participação ativa das comunidades, a qualificação das equipes para atendimentos humanizados e a criação de ambientes acolhedores para atender a população.
Desde sua implementação em 2022, a RBC recebeu investimentos de aproximadamente R$ 430 milhões, permitindo a reforma e ampliação de 405 unidades básicas de saúde. Marilise Fraga destacou que esses investimentos resultaram em um aumento impressionante de cerca de 4.000% nas avaliações multidimensionais e uma elevação de 1.000% nas consultas de pré-natal realizadas pelos parceiros nos últimos cinco anos.
Além disso, Marilise apresentou o Saúde 60+ RS, programa destinado a idosos considerados frágeis ou com diagnóstico de demência. O Estado já implantou 18 serviços nas diversas regiões, todos com equipes multidisciplinares responsáveis por elaborar um plano de cuidado individualizado para os idosos, incluindo encaminhamentos para exames como tomografia, eletrocardiograma e densitometria óssea.
Inovação no combate à dengue
Paola Morais, por sua vez, detalhou o pioneirismo do Rio Grande do Sul no controle do mosquito Aedes aegypti. O projeto-piloto, que se tornou uma política pública de saúde, foi iniciado em 2022, período em que o estado enfrentou um aumento significativo nos casos e óbitos por dengue. Naquela época, o Cevs implementou treinamentos com os municípios para o uso de uma nova técnica de borrifação chamada BRI-Aedes.
Atualmente, mais de 200 municípios já adotaram essa técnica, que tem contribuído para um controle mais eficaz da doença no estado. Paola comentou que a experiência desenvolvida no Rio Grande do Sul se tornou uma referência para o Ministério da Saúde, que passou a adotar diretrizes nacionais baseadas nesse modelo. Além disso, a equipe do estado capacitou profissionais de diversos estados e capitais brasileiras para a aplicação dessa técnica.
Tecnologia a serviço da saúde
Por fim, Letícia Ikeda apresentou uma inovação desenvolvida pela SES: um aplicativo de mensagens para a prevenção do HIV. Essa ferramenta é utilizada pela equipe do Centro de Testagem e Aconselhamento do Hospital Sanatório Partenon, no atendimento à Profilaxia Pré-Exposição ao HIV. Segundo Letícia, a utilização do aplicativo, com um grupo de 248 usuários, melhorou a adesão ao tratamento, reduziu o absenteísmo e agilizou as demandas dos usuários.
Letícia também destacou o projeto “Mobilidade Segura – Saúde, Tecnologia e Prevenção no Transporte Rodoviário”, que realiza diagnósticos rápidos de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, além da detecção de drogas em motoristas nas rodovias gaúchas. Até o momento, mais de 450 motoristas foram abordados em diversas regiões do estado.
“O grande diferencial está na utilização de tecnologias portáteis e minimamente invasivas que oferecem resultados imediatos, perfeitos para contextos de jornadas extenuantes. Isso amplia o acesso à saúde para uma população que, tradicionalmente, tende a não buscar esses serviços, além de contribuir para a prevenção de acidentes e gerar dados estratégicos para embasar políticas públicas”, concluiu Letícia.
