Emergência em Saúde Causada por Doenças Respiratórias
Contagem, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, está a um passo de decretar situação de emergência devido ao aumento expressivo de casos de doenças respiratórias. Os vírus que têm gerado essa preocupação incluem covid-19, bronquiolite e o vírus sincicial respiratório (VSR). Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), o estado registrou uma média de 70 casos diários dessas enfermidades neste ano.
O secretário da SES-MG, Fábio Baccheretti, comentou nesta quarta-feira (01/04) sobre as conversas com autoridades locais, ressaltando que o município tem apresentado um crescimento alarmante nos casos. “Esse crescimento acontece de forma abrupta, e Belo Horizonte não está imune a isso. Os números estão em ascensão e o pico deve ser sentido em cerca de três semanas. Por isso, já estamos dialogando com o município,” destacou Baccheretti.
Grupos de Risco e Ações de Saúde
Os grupos mais afetados por essas doenças incluem idosos com mais de 65 anos e crianças menores de 2 anos. Para lidar com o aumento da demanda por cuidados, o governo estadual anunciou a abertura de sete novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 19 leitos de enfermaria no Hospital Infantil João Paulo II. Essa unidade, por sua vez, já registrou um aumento significativo nos atendimentos, saltando de 2 mil para quase 5 mil casos entre fevereiro e março.
Atualmente, Minas Gerais acumula 6.189 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com hospitalização. Desses, 323 são referentes a covid-19, 250 a influenza e 120 a vírus sincicial respiratório (VSR).
Relatos de Pacientes na UPA
Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) JK, em Contagem, a reportagem encontrou diversos pacientes apresentando sintomas gripais. Maria das Graças Dantas, de 61 anos, relatou que sente falta de ar, dor de cabeça e febre. “Essa situação das doenças respiratórias é realmente preocupante. Ao chegar no hospital, percebo que muitos não usam máscara e não há a devida higiene das mãos. Isso é alarmante,” afirmou.
Outro paciente, o garçom Luiz Antônio da Silva, também de 61 anos, apresentou sintomas de gripe há três dias, incluindo dor no peito e tosse. “Já passei pela triagem e estou aguardando atendimento,” disse ele. Antônio Matos, de 46 anos, se queixou de ardência no nariz e dor na testa, e mencionou o uso de máscara devido a espirros frequentes.
Posicionamento da Secretaria de Saúde
A Secretaria de Saúde de Contagem, por meio de uma nota, declarou que está monitorando a situação de perto e, se necessário, poderá decretar a emergência em saúde pública. “Estamos nos organizando para ampliar a capacidade instalada, o que inclui a expansão de leitos e o reforço das equipes multiprofissionais. Iremos implementar fluxos assistenciais específicos para casos, em consonância com a evolução dos indicadores epidemiológicos,” detalhou a nota.
Ainda segundo a Secretaria, o município está ativo na vigilância epidemiológica, monitorando continuamente os casos de síndromes respiratórias, analisando a sazonalidade e divulgando boletins semanais para ajudar na tomada de decisões. “Desde 10/03/2026, a Vigilância em Saúde de Contagem mantém uma sala de situação, com reuniões periódicas para analisar dados epidemiológicos, revisar fluxos de atendimento e verificar a disponibilidade de insumos e medicamentos,” complementou a nota. O compromisso com a capacitação dos profissionais para o manejo clínico de pacientes com vírus respiratórios também foi enfatizado.
