Fazendas de maconha com tecnologia de ponta em Minas Gerais
Em mais de duas décadas na Polícia Civil, o delegado Rodrigo Bustamante, chefe do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc), nunca havia encontrado algo semelhante: fazendas de maconha em Minas Gerais com estrutura tecnológica de alto nível e grande escala. Nos últimos meses, cinco operações da Polícia Civil revelaram um esquema sofisticado de cultivo e tráfico de drogas, com milhares de pés de maconha em latifúndios espalhados pelo estado.
Em menos de um mês, quatro grandes plantações foram desarticuladas, totalizando aproximadamente 1,8 tonelada da droga apreendida. Uma das fazendas, localizada na zona rural de Virgem da Lapa, chamou atenção por ter cerca de 30 mil pés de maconha, um volume inédito para Minas Gerais. O delegado destaca que a estrutura dessas plantações se assemelha às fazendas mais avançadas do agronegócio em Goiás, com sistemas de irrigação controlados remotamente via internet da rede Starlink, tecnologia da empresa de Elon Musk.
Estratégias para disfarçar o cultivo e condições precárias de trabalho
Para evitar suspeitas, os criminosos misturavam o plantio de maconha com culturas legais, como milho, algodão e arroz. Segundo Bustamante, entre 95% e 98% das terras utilizadas eram arrendadas por “laranjas” para camuflar a operação. Apesar da sofisticação tecnológica, os trabalhadores encontravam-se em condições precárias, com alimentação limitada a miojo e biscoito água e sal, e alojamentos que lembram a estrutura de extração ilegal de minérios na Amazônia.
Leia também: Operação Mar de Minas V: Tecnologia como Aliada no Combate ao Crime
Leia também: Polícia Federal Apreende 25 Toneladas de Drogas em Minas Gerais em 2025
As investigações indicam que os grupos responsáveis pelo cultivo têm origem na Bahia e em Pernambuco, estados com histórico de plantio de maconha no Brasil. O delegado acredita que seja o mesmo grupo atuando em diferentes regiões mineiras, dado o uso idêntico de maquinário e organização nas fazendas. Ainda há dúvidas sobre o financiamento dessas operações, com suspeitas envolvendo grandes facções criminosas como o PCC, Comando Vermelho ou Terceiro Comando Puro, embora não se acredite que o grupo tenha origem na América do Sul.
Como a investigação começou e os resultados das operações
A apuração teve início após o sequestro de uma pessoa, em maio, quando policiais das delegacias de Araçuaí e Pedra Azul localizaram a grande plantação em Virgem da Lapa. A descoberta revelou uma organização criminosa com atuação em várias regiões do estado. Em 4 de junho, a operação Erva Daninha desmantelou outra plantação na zona rural de Grão Mogol, onde 1,8 tonelada de maconha pronta para distribuição foi apreendida e destruída.
Em 10 de junho, um terceiro ponto foi encontrado na zona rural de Porteirinha, com 100 quilos de droga e equipamentos para cultivo. Uma semana depois, em Unaí, a mais de 500 km dos locais anteriores, foi identificada uma quarta fazenda ilegal. Entre os presos estão indivíduos responsáveis pela logística, distribuição e também técnicos com conhecimentos avançados em agronomia, fundamentais para o manejo e irrigação das plantações, principalmente em regiões como o Vale do Jequitinhonha.
Leia também: Apreensão de 300 kg de maconha em Campo Largo/PR: FICCO/PR atua contra tráfico
Fonte: curitibainforma.com.br
Essas descobertas reforçam o avanço da tecnologia aplicada ao crime organizado em Minas Gerais, revelando o desafio das autoridades para combater esquemas que combinam inovação e ilegalidade, com impacto direto na segurança pública e no controle do tráfico de drogas no estado.
