Resposta Integrada para Combater Chikungunya
O Governo do Brasil está intensificando suas ações para enfrentar a emergência sanitária em Dourados, no Mato Grosso do Sul, devido ao aumento dos casos de chikungunya. Para isso, foi criada uma força-tarefa interministerial que une esforços nas áreas de saúde, assistência social, defesa civil e apoio logístico. Esta situação crítica afeta principalmente as comunidades indígenas do município, que têm sido duramente impactadas.
Como parte do reforço à resposta já em andamento, o Governo Federal destinou mais de R$ 3,1 milhões em recursos emergenciais para Dourados. Dessas verbas, R$ 1,3 milhão foram autorizados pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) em uma portaria publicada no dia 2 de abril, com o objetivo de apoiar diretamente a população e fortalecer as estruturas locais de resposta. Além disso, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil aprovou um plano de trabalho no valor de R$ 974,1 mil, que destina recursos a ações de limpeza urbana e remoção de resíduos, com a garantia de transferência direta ao município.
O Ministério da Saúde, por sua vez, repassou R$ 855,3 mil para custear ações de vigilância, assistência e controle da chikungunya na região. A coordenação dessas ações está sendo realizada desde março, com mobilização da Força Nacional do SUS, que tem reforçado as equipes assistenciais e intensificado as atividades de vigilância e controle vetorial.
A resposta federal inclui busca ativa de casos, visitas domiciliares e eliminação de criadouros do mosquito transmissor, além de um maior atendimento à população, com atenção especial às áreas mais vulneráveis, como as comunidades indígenas. A Força Nacional do SUS mobilizou cerca de 40 profissionais, dos quais 26 estão atuando diretamente na região, já realizando 1.288 atendimentos clínicos, 81 remoções para tratamento mais complexo e 225 visitas domiciliares.
A Fiocruz também está atuando, enviando medicamentos para tratar dor, a fim de atender à demanda local decorrente da epidemia. Para expandir a capacidade de resposta, o Ministério da Saúde autorizou a contratação emergencial de 50 Agentes de Combate às Endemias (ACEs), dos quais 20 já foram treinados e iniciarão suas atividades, enquanto os outros 30 começarão a capacitação em breve.
Intensificação das Ações de Controle Vetorial
No que se refere ao controle do vetor, cerca de 95 profissionais, entre ACEs e Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN), estão envolvidos em ações intensificadas. Entre 9 e 16 de março, foram inspecionados 4.319 imóveis, com 2.173 recebendo tratamentos e a identificação de 1.004 focos do mosquito Aedes aegypti, encontrados principalmente em recipientes de armazenamento de água, resíduos sólidos e pneus. Para combater esses focos, foram realizados ciclos de aplicação de inseticidas, incluindo três aplicações veiculares e aplicações costais em 43 imóveis, como escolas e unidades de saúde.
Além disso, uma ação voluntária para retirada de criadouros envolveu cerca de 100 pessoas e resultou no recolhimento de quatro caminhões de resíduos. O Ministério da Defesa também está colaborando, com 40 militares do Exército Brasileiro e cinco viaturas no local para aumentar a capacidade operacional das ações de combate ao mosquito.
O Ministério da Saúde também enviou 1.000 Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs), com as primeiras 300 unidades já instaladas em bairros prioritários e expansão planejada para outras áreas do município. A Funai, por sua vez, está implementando ações de apoio às comunidades indígenas em Dourados, focando na segurança alimentar e no acesso à água potável.
Estão previstas distribuições de 6 mil cestas de alimentos em três etapas, entre abril e junho, em colaboração com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e a Defesa Civil. Também foi aprovada a ampliação do sistema de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, para garantir o fornecimento de água potável e melhorar as condições sanitárias.
Dados Epidemiológicos e Ações Finais
De acordo com os dados mais recentes da vigilância epidemiológica, referentes a 2 de abril, a região registrou 2.812 notificações de chikungunya, com 1.198 casos confirmados, 430 descartados e 1.184 ainda sob investigação. A maior concentração dos casos se encontra nas aldeias indígenas, onde 822 casos foram confirmados, representando 68,6% do total de confirmações.
Até o momento, foram confirmados cinco óbitos, todos entre a população indígena. Para garantir a coordenação das medidas, o Ministério da Saúde criou uma Sala de Situação em Brasília, que realiza reuniões constantes para monitorar o cenário e integrar as decisões entre as equipes técnicas e gestores responsáveis.
No contexto das comunidades indígenas, as ações são realizadas em parceria com os ministérios da Saúde, Povos Indígenas, Integração e Desenvolvimento Regional, Defesa, Desenvolvimento Social, Funai e o Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS), que conta com 210 Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e 150 Agentes Indígenas de Saneamento (Aisan). As ações incluem capacitação de profissionais da saúde e alinhamento de protocolos clínicos para diagnóstico e manejo adequado da doença, além de educação em saúde nas escolas e comunidades.
Mensagens de prevenção também estão sendo enviadas via WhatsApp para mais de 234 mil moradores, em português e com tradução para línguas indígenas. O objetivo é qualificar a assistência, implementar o protocolo nacional de chikungunya e capacitar as equipes para a identificação precoce de casos graves e manejo clínico adequado.
