Vitória consolidada no primeiro turno
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), 44 anos, conquistou neste domingo (4) o governo de Minas Gerais, assegurando uma vitória robusta já no primeiro turno das eleições. Com 99,87% das urnas apuradas, ele somava 55,4% dos votos válidos, enquanto o deputado federal Patrus Ananias (PT), 74, aparecia em segundo lugar com 26,34%.
Compromisso com a unidade do estado
Durante pronunciamento transmitido de Divinópolis (MG), sua cidade natal, Cleitinho destacou o compromisso de pacificar Minas Gerais. “Eu quero ser o governador que vai trazer a pacificação para esse país”, afirmou. O senador reforçou a ideia de que Minas é um só povo e que seu governo será para todos os mineiros.
Em um momento de emoção, ele dedicou a vitória a Deus, ao irmão Matheus Augusto Ramalhão Azevedo, falecido em julho, e ao pai, também já falecido. Para votar, Cleitinho usou uma camisa com o rosto dos dois familiares e, ao lado da família e apoiadores, cantou o refrão da música gospel “Deus de Obras Completas”, da cantora Kemilly Santos.
Família e campanha marcada por superação
Cleitinho atribuiu o triunfo aos trabalhadores, às mulheres e ao povo mineiro. A vitória se estendeu à sua família, com o irmão gêmeo Gleidson Azevedo (Republicanos) eleito deputado federal e outro irmão, Eduardo Azevedo (PL), eleito deputado estadual.
Desde o início da campanha, Cleitinho liderava as pesquisas com folga. Mesmo durante a pré-campanha, seu nome despontava nas simulações de intenção de voto, apesar das idas e vindas sobre a confirmação de sua candidatura. Em agosto, chegou a anunciar que não concorreria, justificando a decisão pelo luto da morte do irmão. No entanto, no dia seguinte, voltou atrás e retomou a disputa, enfrentando um episódio de repreensão pública do presidente nacional do Republicanos. A oficialização da chapa ocorreu no prazo final da Justiça Eleitoral, e especialistas destacam que esse vaivém ajudou a ampliar o alcance digital da candidatura.
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Estratégia digital e posicionamento político
Após a confirmação da vitória, Cleitinho publicou nas redes sociais: “De verdureiro a governador. Só Deus e vocês para fazerem isso acontecer”. Ele reforçou o compromisso de governar para todos, independentemente do voto recebido.
Durante a campanha, o senador priorizou agendas no interior de Minas e utilizou intensamente as redes sociais para transmissões ao vivo e vídeos, potencializando seu engajamento digital. Embora não tenha integrado oficialmente o palanque de Flávio Bolsonaro (PL) no estado — que lançou o empresário Flávio Roscoe ao pleito —, Cleitinho manifestou apoio público ao presidenciável em diversas ocasiões.
Contexto eleitoral mineiro e disputas nacionais
Como mostrou a Folha, a campanha de Flávio Bolsonaro conta com importantes aliados eleitos neste domingo para fortalecer sua candidatura no segundo turno contra Lula (PT). Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, será um palco decisivo nessa disputa. Cleitinho e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), recordista de votos, deverão desempenhar papel relevante na mobilização do eleitorado para a segunda etapa da votação.
Apesar de não ser um entusiasta declarado de Flávio Bolsonaro, Cleitinho adotou um tom conciliador nos debates, prometendo governar para superar a polarização política. “Eu sou de direita, mas meu coração é para todos”, declarou em evento promovido pela Globo.
Trajetória e experiência política
Eleito senador por Minas Gerais em 2022 com 41,52% dos votos válidos, Cleitinho tem origem humilde. Antes de ingressar na política, trabalhou como verdureiro e músico. Recentemente, realizou campanha em Belo Horizonte, incluindo visitas a locais ligados à sua história, como o Ceasa Minas, onde começou no comércio de hortifrúti ao lado do pai e irmãos.
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Seu discurso de campanha reforçou uma retórica antissistema, defendendo “menos Estado e mais povo”.
Patrus Ananias e a disputa pelo pleito
A candidatura de Patrus Ananias (PT) surgiu como uma opção consensual após desistências dentro do partido para o pleito mineiro. Rodrigo Pacheco (PSB), então favorito, anunciou em maio que não concorreria, enquanto Marília Campos, ex-prefeita de Contagem, resistiu ao convite do PT e permaneceu candidata ao Senado.
Durante a campanha, Patrus destacou sua experiência administrativa, citando sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte nos anos 1990 e sua atuação como ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome no primeiro mandato de Lula.
Estratégias dos adversários e contexto eleitoral
Na reta final, adversários alinhados à direita, como o atual governador Mateus Simões (PSD) e Flávio Roscoe (PL), apostaram em discursos anti-PT e questionaram a experiência de Cleitinho em cargos públicos. Simões chegou a sugerir que Cleitinho deveria retornar ao Senado para colaborar em possíveis processos contra o ministro Alexandre de Moraes, após a recente crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
Além deles, disputaram a eleição Alexandre Kalil (PDT), Gabriel Azevedo (MDB), Ben Mendes (Missão), Rafael Duda (PSTU), Henrique Áreas (PCO) e Indira Xavier (UP). O primeiro turno, portanto, encerrou-se com a definição clara do novo governador e o fortalecimento de forças políticas que podem influenciar o próximo cenário eleitoral em Minas Gerais e no país.
