A crescente busca por soluções em tecnologia
Em 2022, Margie Smith enfrentou um desafio de saúde que a levou a consultar diversos especialistas. Ela visitou alergistas devido a uma tosse persistente, pneumologistas para tratar falta de ar, um otorrinolaringologista por causa de refluxo severo, e um cardiologista após desmaiar durante atividades físicas. A sensação predominante de Margie foi de que os médicos, limitados por suas especialidades, não conseguiam formar um diagnóstico completo.
“O sistema de saúde realmente falhou comigo. É preocupante depender da inteligência artificial para aconselhamento médico, mas é o que temos”, desabafa Margie.
A ascensão dos chatbots na saúde
Uma pesquisa recente revelou que um terço dos adultos atualmente recorre a chatbots para orientações de saúde. Isso é especialmente comum entre mulheres com doenças crônicas complexas que, por vezes, levam anos para alcançar um diagnóstico adequado. Muitas dessas condições, como a Covid longa e algumas doenças autoimunes, afetam desproporcionalmente as mulheres e, frequentemente, os sintomas são minimizados ou ignorados por profissionais de saúde.
Após um chamado para compartilhar suas experiências, centenas de pessoas responderam, permitindo uma análise dos padrões de uso de IA para saúde. Embora as entrevistadas reconheçam que os chatbots podem oferecer informações imprecisas, muitas se sentem compelidas a buscá-los, já que confiam menos na medicina tradicional.
Os riscos dos chatbots na medicina
“Existem vários riscos ao utilizar chatbots para aconselhamento médico”, alerta James Landay, co-diretor do Instituto de IA Centrada no Humano da Universidade Stanford. “Por outro lado, é vital entender a motivação por trás do uso desses recursos.”
Historicamente, pacientes têm buscado autodiagnósticos por meio de fóruns e plataformas online. Casos de pessoas ignoradas por médicos que, posteriormente, estavam certas sobre seus diagnósticos são recorrentes, assim como relatos de pessoas que seguiram tratamentos não recomendados e enfrentaram complicações.
A diferença agora é que, com a tecnologia moderna, os chatbots oferecem interações que parecem personalizadas e confiáveis, mesmo que possam ser imprecisas. Startups estão desenvolvendo IA direcionada para diagnósticos, mas muitos chatbots gerais ainda não foram testados adequadamente para essas funções, de acordo com Danielle Bitterman, especialista em dados e IA no Mass General Brigham.
Histórias de sucesso e fracasso
Ainda assim, há relatos de sucesso. Patty Costello, uma pesquisadora do Idaho, descreveu seus sintomas ao ChatGPT, que sugeriu a síndrome de ativação de mastócitos (MCAS) como possível diagnóstico. Após consultar um alergista e confirmar a condição, Patty relatou uma melhora significativa com o tratamento.
Entretanto, essa não é a realidade da maioria. Um estudo recente demonstrou que pessoas sem formação médica, ao usarem chatbots para diagnósticos, acertaram menos da metade das vezes. Essa situação gerou preocupação, pois alguns pacientes se apresentaram a médicos com diagnósticos alarmantes, enquanto outros deixaram de investigar problemas sérios por conta de respostas otimistas recebidas.
A importância da alfabetização científica
É interessante notar que muitos casos de sucesso envolvem pessoas com algum conhecimento médico. Caroline Gamwell, uma fisioterapeuta de Denver, usou o ChatGPT para discutir seus sintomas complexos e encontrou um diagnóstico que foi ignorado por seus médicos por anos. Sua experiência ressalta a necessidade de compreensão e habilidade crítica ao usar essas ferramentas.
Deborah Holcomb, com encefalomielite miálgica/síndrome da fadiga crônica, utiliza chatbots para identificar padrões em seus sintomas, mas é cautelosa e não toma decisões sem consultar um médico. Embora reconheça a utilidade dessas tecnologias, também destacou que algumas sugestões são inadequadas e refletem mitos populares.
Samantha Allen Wright, professora de inglês, compartilha experiências semelhantes. Ao buscar informações sobre enxaquecas e disautonomia, encontrou mais eficácia em chatbots do que em consultas médicas, mas também se deparou com interpretações incorretas de resultados de exames.
No contexto atual, a integração entre tecnologia e saúde continua a evoluir. É crucial que os usuários compreendam os limites das ferramentas de IA e mantenham um diálogo aberto com seus médicos para garantir um tratamento seguro e eficaz.
