Mineiro Francisco Azra comanda ginástica artística de Singapura
Francisco Azra, de 37 anos, natural de Belo Horizonte, é o treinador-chefe da seleção masculina de ginástica artística de Singapura e esteve à frente da equipe que conquistou a primeira classificação do país para uma final por equipes nos Jogos Asiáticos. Em Nagoya, no Japão, durante os 20º Jogos Asiáticos Aichi-Nagoya 2026, a equipe singapurense avançou com a oitava melhor pontuação e manteve a posição ao final da competição, desafiando algumas das maiores potências mundiais da ginástica.
Azra reconhece o peso do resultado. “Nós éramos os underdogs da final, mas para a gente foi uma grande vitória estar lá, participar e colocar o nome de Singapura no cenário asiático”, afirmou.
Competição de alto nível define o desafio na Ásia
O contexto da vitória é reforçado pela força das equipes asiáticas, que dominam a ginástica mundial. Países como China e Japão representam desafios constantes para Singapura e demonstram a competitividade da modalidade no continente.
“A Ásia é a região mais forte da ginástica. Uma medalha de ouro aqui equivale a uma medalha de ouro nas Olimpíadas, pelo nível de dificuldade”, avaliou Azra.
De atleta a treinador: a trajetória de Francisco Azra
Azra iniciou sua relação com a ginástica aos nove anos, depois de experimentar outros esportes como natação, vôlei, judô e futebol. A fascinação pelas piruetas e movimentos acrobáticos logo se tornou uma paixão que direcionou sua vida.
Após atuar como atleta até os 17 anos, ele percebeu que não alcançaria o alto rendimento desejado, o que o motivou a investir na carreira de treinador. Formado em Educação Física, Azra transformou a limitação como atleta em combustível para o sucesso no comando técnico.
Experiência internacional e crescimento profissional
O treinador começou no Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, onde trabalhou por cinco anos com atletas de alto rendimento. Também atuou nas categorias de base da seleção brasileira antes de buscar novos desafios na Europa.
Há dez anos, mudou-se para Exeter, na Inglaterra, onde passou sete anos e meio aprimorando sua técnica e acompanhando atletas que chegaram às seleções inglesa e britânica. Essa etapa foi fundamental para o crescimento profissional de Azra e abriu portas para oportunidades maiores, incluindo participação na organização da ginástica nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
Desenvolvendo a ginástica em Singapura
Em 2025, Azra assumiu o comando da ginástica masculina de Singapura com o desafio de estruturar um sistema sólido para o desenvolvimento da modalidade no país. Sua atuação vai além da preparação da equipe para competições, abrangendo gestão de treinadores, metodologias de treinamento, calendário de eventos e formação técnica.
“O atleta que vemos competindo é apenas a ponta do iceberg. Por trás, há um sistema que envolve treinadores qualificados e estrutura adequada para o desenvolvimento”, explicou Azra.
Desafios e cultura local
Singapura tem uma base de praticantes menor que as principais potências asiáticas, o que torna a massificação do esporte uma prioridade. O trabalho visa aumentar o número de jovens atletas e criar um processo que os leve ao máximo potencial.
Azra destaca ainda o desafio de se adaptar à cultura local, que combina disciplina rigorosa e tradições mais conservadoras. O treinador busca equilíbrio entre inovação e respeito às características do ambiente esportivo singapurense.
Novos talentos e metas olímpicas
O crescimento da ginástica em Singapura já apresenta resultados. Amanda Yap, de 16 anos, conquistou medalha de prata na trave nos Jogos da Commonwealth e foi sexta colocada na final do aparelho nos Jogos Asiáticos. No masculino, Jovi Loh, de 18 anos, é considerado uma promessa, embora tenha ficado fora da competição em Nagoya por lesão.
Azra aposta no potencial de Loh e projeta os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 como objetivo principal para o país na modalidade.
Visão de longo prazo para o esporte
Com contrato até o fim do ciclo olímpico, Francisco Azra não mede sucesso apenas por resultados imediatos. O foco está em construir um sistema sustentável que permita a Singapura continuar desenvolvendo atletas mesmo após sua saída.
“Vou sentir que cumpri meu dever quando entregar um programa funcional que mantenha o crescimento da ginástica no país”, concluiu.
