Análise das Transações Financeiras
As informações sobre os investidores que realmente apoiam o fundo BLP PCJ VII não são transparentes. Porém, Artur Martins de Figueiredo, que assina os contratos em nome do fundo, está ligado a investigações da Polícia Federal (PF) ao lado de Maurício Quadrado. Figueiredo é também diretor da Banvox, uma holding com um histórico nebuloso, que foi acionista do Master.
Um fato alarmante que vem à tona é que o escritório de advocacia de Ibaneis Rocha, o Ibaneis Advocacia e Consultoria, negociou R$ 38 milhões em honorários de precatórios com a Reag, uma empresa sob investigação no caso Master, em maio de 2024. Além disso, um segundo contrato, no valor de R$ 10 milhões, foi revelado na semana passada, envolvendo outro fundo da Reag, com a participação direta de Ibaneis como representante do escritório.
O contrato mais recente refere-se à venda de honorários de precatórios relacionados a uma ação iniciada pelo Sindicato dos Servidores da Justiça do Trabalho dos Estados de Rondônia e Acre (Sinjustra), que está em tramitação desde 2011. Essas transações envolvem a antecipação de pagamentos de honorários, que, em geral, consistem em uma porcentagem significativa do valor total do precatório. Isso indica que o recebimento de precatórios é um processo complicado e demorado.
A descoberta dessa terceira transação sugere um padrão consistente de negócios que envolve a venda de honorários de precatórios, denotando a estreita relação do governador com o ecossistema do Master.
Implicações Políticas e Reações
Após a revelação das transações, a oposição intensificou a pressão pela abertura de um processo de impeachment contra Ibaneis, questionando a ética de suas ações. O governador, por sua vez, alegou que está afastado dos negócios do escritório desde 2018, quando foi eleito pela primeira vez.
Contudo, ele aparece como avalista em um dos contratos com a Planner, onde seu filho, Caio Barros, gerencia o escritório. A participação de Ibaneis como avalista significa que ele seria responsável solidário pelos valores negociados, caso o escritório não cumprisse suas obrigações financeiras.
O documento que corroborou essas informações foi autenticado no 1º Ofício de Notas e Protesto de Brasília, conhecido como Cartório JK. Embora o escritório tenha afirmado que a assinatura de Ibaneis no contrato com a Reag foi feita “digitalmente” por um gerente, a presença da sua assinatura em outro contrato levanta mais questões sobre seu envolvimento pessoal nas negociações.
O Cenário do Ecossistema Master
As transações reveladas envolvem não apenas a Reag, mas também outros fundos e gestoras implicados em operações suspeitas de lavagem de dinheiro, como as apuradas na Operação Compliance Zero. A Trustee, uma gestora fundada por Quadrado, é a administradora do BLP PCJ VII, de acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Os valores somados das transações, incluindo os três contratos, totalizam cerca de R$ 52,9 milhões. Contudo, o escritório de Ibaneis afirma ter recebido apenas R$ 12 milhões, resultado de vendas geralmente realizadas com descontos significativos.
Além disso, a ligação entre Ibaneis e o ecossistema do Master suscita preocupações. O governador é considerado um dos avalistas na negociação com a Planner, onde o escritório cedeu honorários ao fundo em 2019. Esse envolvimento contraria sua afirmação de estar distante do escritório durante seu mandato.
Repercussões e Proximas Etapas
O clima tenso em torno das investigações do caso Master afeta também o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso. A abordagem cautelosa dos ministros em relação ao caso e suas possíveis repercussões políticas representam um cenário delicado.
A Planner, em nota, defendeu que a operação realizada ocorreu dentro da legalidade e reiterou não ter atuado como intermediária nas negociações. A falta de esclarecimentos mais profundos sobre o papel de Ibaneis e seu escritório nas transações continua a gerar especulações.
Com a crescente pressão política e as investigações em andamento, a situação de Ibaneis e sua conexão com o ecossistema Master permanecem em foco, à medida que o futuro da governança no Distrito Federal se desenrola em meio a um cenário de incertezas.
