Desempenho Insatisfatório no Índice de Desenvolvimento Sustentável
O Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC) revela que, enquanto muitos municípios do interior do Brasil avançam na implementação das metas globais, Belo Horizonte (BH) enfrenta dificuldades significativas. A capital mineira ocupa a 1.188ª posição entre as 5.570 cidades avaliadas, apresentando uma pontuação de 54,35, classificada como um nível médio de sustentabilidade. Essa situação destaca a necessidade urgente de melhorias em sua infraestrutura.
O IDSC mede o progresso dos municípios em relação aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas. A pontuação, que varia de zero a 100, reflete o desempenho agregado em todas as metas estabelecidas. Dessa forma, é possível observar que, apesar de o Brasil contar com cidades como Uru (SP), líder com 66,83 pontos, e Varginha (MG), que figura na sétima posição com 64,64 pontos, a realidade de BH é alarmante quando se analisa especificamente os indicadores relacionados à infraestrutura e à sustentabilidade urbana.
Infraestrutura e Sustentabilidade Urbana: Desempenho Frágil
No ODS 9, que se refere a Indústria, Inovação e Infraestrutura, várias cidades brasileiras têm obtido desempenhos considerados “muito baixos”, com pontuação inferior a 39,99. Este objetivo visa à construção de estruturas resilientes, à modernização da base produtiva e ao estímulo à inovação. Já o ODS 11, que aborda a temática de Cidades e Comunidades Sustentáveis, inclui aspectos como mobilidade urbana, saneamento, gestão de resíduos e planejamento territorial. Novamente, os dados indicam um desempenho insatisfatório em muitos municípios.
Em BH, a situação é crítica: o município está classificado na faixa “muito baixa” tanto no ODS 9 quanto no ODS 11, evidenciando gargalos estruturais que comprometem a infraestrutura e o planejamento urbano. Estes indicadores são reflexões diretas sobre a capacidade da cidade de promover um desenvolvimento sustentável eficaz.
Investimentos e Planejamento: Caminhos para a Sustentabilidade
Especialistas apontam que a raiz do problema está ligada ao baixo volume de investimentos na área de infraestrutura. Camillo Fraga, sócio-fundador e diretor do Grupo Houer, destaca que o Brasil ainda não investe o suficiente em infraestrutura. “Atualmente, não existem recursos públicos adequados para atender às necessidades do setor. Portanto, é fundamental atrair capital privado. Para isso, precisamos de projetos adequados e de uma estrutura regulatória eficaz. Isso é uma necessidade urgente”, enfatiza.
De acordo com Fraga, as deficiências na infraestrutura são abrangentes e afetam diversos modais. “Enfrentamos gargalos logísticos colossal em várias áreas. Na logística portuária e ferroviária, os desafios são imensos. Embora o setor aeroportuário brasileiro tenha avançado significativamente, especialmente após a Copa do Mundo, e hoje possamos contar com aeroportos comparáveis aos melhores do mundo, seguimos na 48ª posição global quando o assunto é rodovias, ferrovias e portos”, explica.
A Importância do Planejamento a Longo Prazo
O professor Paulo Resende, do Núcleo de Infraestrutura da Fundação Dom Cabral (FDC), observa que a falta de um planejamento consistente também agrava os desafios enfrentados pelo setor. “Um planejamento de longo prazo é fundamental. Contudo, sabemos que essa prática é uma raridade no Brasil. É essencial que implementemos essa visão, especialmente em projetos de infraestrutura que exigem tempo para serem desenvolvidos,” conclui Resende.
