Minas Gerais não está totalmente livre de tremores
Ao contrário do que muitos imaginam, Minas Gerais não está completamente isento de terremotos. O estado está situado no interior da Placa Sul-Americana, uma área considerada estável e afastada das bordas tectônicas onde geralmente ocorrem grandes abalos sísmicos. Ainda assim, tremores de baixa a moderada intensidade podem acontecer e são registrados com certa frequência em território mineiro.
Esses eventos são chamados de sismos intraplaca, resultado da liberação de energia acumulada por pressões que se espalham por toda a extensão da placa tectônica. Essa tensão pode reativar antigas falhas geológicas — fraturas na crosta terrestre — que acabam gerando abalos sísmicos sentidos na superfície.
Onde ocorrem os tremores com maior frequência?
Minas Gerais é o estado brasileiro que lidera o registro de atividade sísmica, tendo contabilizado 14 tremores apenas nos primeiros meses de 2026, o que corresponde a mais da metade dos registros nacionais. A distribuição dos tremores não é uniforme pelo território, e algumas regiões apresentam uma maior recorrência devido às suas características geológicas específicas.
Leia também: Concursos na Educação 2026: Mais de 24 Mil Novas Vagas Autorizadas!
Leia também: Paradoxo da Ciência na Ditadura Militar: Avanços e Repressão no Brasil
O Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha são as áreas com maior atividade sísmica. Em 2007, Itacarambi, na região Norte, sofreu o tremor de maior impacto já registrado no estado, com magnitude 4,9, que causou a primeira morte oficial por terremoto no Brasil e deixou centenas de pessoas desabrigadas.
O Quadrilátero Ferrífero é outra região de destaque, onde os tremores são, em sua maioria, naturais, resultantes da reativação de falhas antigas. Ao contrário do que era pensado, esses abalos não são diretamente causados pela intensa atividade de mineração local.
Outras regiões com registros sísmicos
No Sul de Minas, os tremores tendem a ser de menor intensidade e estão associados a falhas geológicas que se ativam esporadicamente. Já a Região Central, especialmente o município de Felixlândia, tem apresentado atividade sísmica frequente em 2025 e 2026, tornando-se um ponto de atenção para os especialistas.
Leia também: Inscrições Abertas para o Prêmio Ciência para Todos em São Paulo
Leia também: Concursos 2026: Mais de 160 mil Vagas e Salários que Podem Chegar a R$ 30 mil!
Apesar desses registros, a ocorrência de um terremoto de grande magnitude em Minas Gerais é altamente improvável. A geologia local não favorece o acúmulo da energia necessária para abalos devastadores, como os observados em países situados em bordas tectônicas ativas, como Chile e Japão.
Monitoramento e estudo contínuo
O monitoramento dos tremores em Minas Gerais é realizado pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), que conta com cerca de 10 estações no estado. Essas estações são operadas em colaboração por instituições como o Observatório Nacional, USP, UnB e UFRN, com apoio do Serviço Geológico do Brasil (SGB). Esse trabalho é fundamental para compreender a dinâmica das falhas geológicas locais e mapear as áreas com maior atividade sísmica.
Assim, embora Minas Gerais não esteja imune a tremores, a população pode ficar tranquila quanto à baixa probabilidade de eventos sísmicos severos. A Ciência segue de perto esses fenômenos para garantir um melhor entendimento e preparo da região.
