Um Encontro Musical em Belo Horizonte
Quando pensamos em Otto, logo vem à mente a energia vibrante de seus shows, que atraem multidões. O cantor, compositor e percussionista pernambucano é um dos ícones do Manguebeat, movimento que revolucionou a música brasileira, mesclando ritmos como maracatu e coco a estilos contemporâneos como rock e hip hop. Em sua próxima apresentação na capital mineira, marcada para quinta-feira (23/4), Otto promete um show diferente, mais intimista, ainda que carregado de vigor.
O evento acontece no Centro Cultural Unimed-BH Minas, e faz parte do projeto “Uma Voz, Um Instrumento”, que celebra uma década de atividades. “É uma experiência que não realizo com frequência. Recentemente, fiz um show desse tipo e foi incrível. É uma abordagem diferente, uma nova performance”, explica o artista, enfatizando a atmosfera acolhedora que essa proposta proporciona. Otto ainda destaca a interação com o público, que se torna mais próxima em um formato assim. “É um show muito carismático e as pessoas sempre pedem para que eu faça mais”, comenta, ao lado do violonista Yuri Queiroga, que o acompanha nesta apresentação especial.
Uma Homenagem que Transcende Gêneros
Durante o espetáculo, o repertório não se limita às composições de Otto; ele também presta tributo ao lendário Luiz Melodia, que deixou um legado imensurável na música brasileira. “Melodia é uma das maiores vozes do país, com um repertório extraordinário. Ele veio do Estácio, e sua inteligência e rapidez no palco o tornaram único”, reverencia Otto. O artista acredita que, mesmo escolhendo algumas canções do homenageado, a tarefa não é simples: “Como selecionar entre tantas músicas boas? É um desafio, mas vamos tentar montar um setlist que homenageie seu legado”.
Otto já antecipa algumas das composições de Melodia que farão parte da apresentação: “Estácio, Holly Estácio”, “Magrelinha”, ambas do álbum “Pérola Negra” (1973), e “Codinome Beija-flor”, do disco “Pintando O Sete” (1991).
Um Público que Cativa
Além de relembrar a trajetória musical, Otto valoriza o carinho do público mineiro. “Lembro como Minas Gerais foi um dos primeiros lugares a abraçar nossa música. Tive a oportunidade de tocar no Drosophyla, nos tempos do Manguebeat, ao lado de Chico Science e Fred Zero Quatro. Isso foi há mais de 30 anos, e a relação se fortaleceu com o tempo”, recorda. O cantor também destaca a importância da cultura mineira em sua formação artística, notando uma conexão especial entre as tradições do Nordeste e de Minas Gerais. “Nos entendemos na culinária, na forma de nos relacionar e na música”, completa.
No cenário atual, Otto não apenas se apresenta, mas também se dedica a um novo projeto autoral. “Estou trabalhando em um disco independente, que já conta com cinco faixas gravadas. As parcerias são incríveis, com nomes como Michael Sullivan, Marcos Valle, Hyldon e Luiz Caldas”, revela. Apesar de não haver uma data prevista para o lançamento, ele mantém um ritmo criativo que promete trazer mais novidades em breve.
Com sua visão sobre a música como uma arte que promove encontros, Otto reafirma seu compromisso com a cultura brasileira e sua capacidade de emocionar e conectar pessoas por meio de suas canções.
