Investimento Bilionário na Educação
Com o intuito de aprimorar a infraestrutura de transporte e a rede de ensino estadual, o governo de Minas Gerais deu um passo significativo nesta segunda-feira (30). Dois leilões de Parcerias Público-Privadas (PPPs) foram realizados na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, destacando um investimento de R$ 5,1 bilhões.
A empresa IG4 BTG Pactual Health Infra conquistou o contrato voltado à gestão e manutenção de 95 escolas — 61 na Região Metropolitana de Belo Horizonte e 34 no Norte do estado — abrangendo 34 municípios. O lote, que envolveu uma contraprestação de R$ 22.350.000,00, foi arrematado com um deságio de 14,17%, destacando a competitividade do certame.
Serviços Previsto e Responsabilidades
O investimento de R$ 5,1 bilhões será distribuído ao longo de 25 anos, abrangendo serviços não pedagógicos, incluindo manutenção de prédios, fornecimento de água, energia, gás e esgoto, além de limpeza, jardinagem, tecnologia da informação, vigilância e controle de acesso. Embora a gestão educacional permaneça a cargo da Secretaria de Estado da Educação (SEE), os diretores das escolas terão a responsabilidade de monitorar a qualidade dos serviços prestados pela empresa parceira.
Segundo Rossieli Soares, secretário de Educação, a parceria representa uma oportunidade inovadora para o setor educacional em Minas Gerais, podendo se tornar um modelo para iniciativas semelhantes em outras partes do Brasil.
Críticas ao Projeto
No entanto, essa visão otimista não é compartilhada por diversas entidades que representam profissionais da educação em Minas Gerais. No dia 26 de outubro, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), a União Estadual de Estudantes, a União Brasileira de Estudantes Secundaristas e outros movimentos sociais manifestaram suas preocupações, protestando contra a contratação de uma empresa privada para gerenciar parte das escolas estaduais.
O Sind-UTE alega que a proposta pode levar à demissão de milhares de auxiliares e à precarização dos serviços, além de enfraquecer a gestão democrática nas instituições de ensino. Em resposta aos seus temores, a entidade, junto com a deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), protocolou uma denúncia no Tribunal de Contas do Estado (TCE), contestando a legalidade e a viabilidade econômica do projeto.
Irregularidades Afirmadas
De acordo com o Sind-UTE, foram identificadas ao menos 31 irregularidades no processo licitatório que levantam dúvidas sobre a sua conformidade e eficiência. O TCE-MG já está analisando a denúncia, enquanto o governo de Minas insiste que a licitação foi conduzida de maneira correta e transparente.
Essa situação coloca em evidência a tensão entre as expectativas de modernização da infraestrutura escolar e as preocupações com a qualidade do serviço educacional e as condições de trabalho dos profissionais da área. Enquanto o governo aposta na PPP como uma solução inovadora, os críticos defendem a importância de manter uma gestão pública forte e eficiente nas escolas.
