Desempenho Preocupante em Saneamento
Belo Horizonte, a maior cidade da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas e capital de Minas Gerais, ocupa uma posição alarmante no Ranking do Saneamento 2026. De acordo com o levantamento divulgado na última quarta-feira (18) pelo Instituto Trata Brasil, a capital mineira encontra-se entre os 10 municípios mais populosos do Brasil com o maior índice de perda na distribuição de água. A análise abrange os 100 maiores municípios do país, utilizando dados recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), com base em 2024, fornecidos pelo Ministério das Cidades.
No ranking, Belo Horizonte ocupa a 98ª posição, com uma perda alarmante de 68,29% de água. Para contextualizar, essa porcentagem representa a terceira maior taxa de perdas entre as cidades analisadas. Em comparação, a média nacional de perda é de 39,5%, com uma meta do governo federal fixada em 25% até 2034.
Outros Municípios na Lista de Perdas
Além de Belo Horizonte, a Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas também inclui Ribeirão das Neves, que ocupa a 92ª posição no ranking, com 55,68% de perda. O Instituto Trata Brasil explica que o índice avalia a relação entre a água produzida e a quantidade realmente consumida nas residências. Quanto menor o percentual, melhor a classificação do município, visto que menos água é desperdiçada na distribuição. Nesta edição do ranking, a média geral foi de 41,51%, mostrando uma leve melhora em relação aos 45,43% de 2023. O dado nacional de 39,5% também é um sinal positivo.
A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Siewert Pretto, ressalta que perdas tão significativas de um ano para o outro são raras. No último ranking, a capital mineira havia registrado 41,63% de perda. O atual índice, portanto, é quase 27 pontos percentuais superior ao anterior, o que levanta preocupações sobre a eficiência do sistema de distribuição de água.
Causas das Perdas Hídricas
As perdas de água podem ocorrer devido a vazamentos (perdas físicas) ou irregularidades como furtos e erros de medição (perdas comerciais). “Normalmente, cerca de 60% das perdas são de origem física, enquanto 40% são comerciais”, observa Luana. Essa distinção é crucial para entender as estratégias que podem ser implementadas para mitigar essas perdas.
Saneamento Básico em Minas Gerais
O Ranking do Saneamento analisa três dimensões principais do saneamento básico em cada cidade: nível de atendimento, melhoria do serviço e eficácia. Os primeiros lugares foram dominados por quatro municípios de São Paulo: Franca, São José do Rio Preto, Campinas e Santos. Minas Gerais, por sua vez, tem dois representantes entre os 20 melhores: Uberaba, que ocupa a 11ª posição, e Montes Claros na 14ª. Uberlândia também se destaca, posicionando-se em 21º.
Luana Siewert destaca que Minas possui oito municípios entre os 100 estudados. Além dos já mencionados, encontram-se: Belo Horizonte (53°), Betim (52°), Juiz de Fora (58°), Contagem (59°) e Ribeirão das Neves (65°). “Os três municípios melhor classificados possuem indicadores favoráveis em relação ao acesso à água e o tratamento de esgoto. Enquanto Uberaba e Montes Claros ainda precisam melhorar suas taxas de perda, estão em melhores posições no ranking”, analisa.
Desafios Futuros
Com relação ao acesso à água, Betim enfrenta desafios, já que apenas 93% de sua população tem acesso ao recurso. O município precisa alcançar 99% até 2033, conforme a meta legal. Ribeirão das Neves e Contagem também têm metas desafiadoras de coleta de esgoto, precisando atingir 90% de cobertura.
Outro desafio significativo em Minas Gerais é o tratamento de esgoto. Em Juiz de Fora, apenas 25% do esgoto gerado é tratado. Os demais municípios estão entre 73% e 75%, um resultado aceitável para as metas até 2033. “Devemos continuar investindo para que o tratamento de esgoto, que atualmente gira em torno de 70%, chegue a 90%, conforme estipulado pelo Marco Legal do Saneamento Básico”, conclui Luana.
Em resumo, Belo Horizonte e outras cidades de Minas Gerais enfrentam desafios críticos em termos de perdas de água e tratamento de esgoto. A necessidade de investimentos e melhorias na infraestrutura de saneamento é urgente, considerando que nenhum município está entre os 20 piores no ranking. Contudo, mesmo com a situação preocupante, Minas Gerais ainda precisa intensificar os esforços para que a média de investimentos em saneamento básico atinja o que é recomendado.
