Impactos da Redução nas Equipes do Samu
Belo Horizonte enfrenta uma significativa diminuição nas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). As ambulâncias passarão a contar com um técnico de enfermagem a menos, reduzindo o efetivo de dois para um profissional nas unidades móveis básicas. Essa mudança foi comunicada aos profissionais de saúde pela prefeitura da capital mineira e está gerando preocupações sobre a qualidade do atendimento.
O Sindicato dos Servidores da Saúde de Belo Horizonte, conhecido como Sind-Saúde, informou que cerca de 45% dos técnicos de enfermagem foram desligados. Essa decisão levanta sérias questões sobre a capacidade de resposta do serviço no atendimento à população. A prefeitura anunciou que, apesar dos cortes, pretende reorganizar as escalas de trabalho para garantir que não haja redução no número de ambulâncias disponíveis.
A diretora do Sind-Saúde, Núbia Dias, destacou que essa redução impacta diversos serviços, incluindo o transporte sanitário e intrahospitalar. “Essa mudança afeta a agilidade no atendimento à população. Atualmente, as equipes conseguem realizar atendimentos em um intervalo de 40 a 50 minutos, mas esse tempo pode aumentar consideravelmente”, alerta.
Ainda segundo Núbia, o atendimento móvel deve ser imediato, e com apenas um técnico de enfermagem e um condutor, o tempo de resposta será extensivo. Ela menciona que um único técnico não terá condições de atender adequadamente todos os casos, ressaltando a possibilidade de sobrecarga na equipe.
Menos Profissionais, Mais Atrasos
Com a nova estrutura, as 22 unidades básicas de atendimento do Samu contarão com apenas um técnico e um condutor. Para as operações de suporte avançado, a situação se mantém com um médico, uma enfermeira e um condutor auxiliar em cada uma das seis unidades na capital.
Núbia Dias revelou que Belo Horizonte realiza aproximadamente 140 mil atendimentos por ano, com um total de 175 mil atendimentos realizados pelo telefone durante o segundo quadrimestre de 2025. Em comparação, cerca de 120 mil atendimentos são feitos diretamente nas ruas.
A diretora critica a ausência do serviço aéreo de emergência, que foi ativo entre 2020 e 2021 na capital. “Enquanto em cidades como Juiz de Fora e Varginha esse serviço está disponível, em Belo Horizonte ele não existe mais”, comparou, ressaltando que em casos que requerem transporte aéreo, a única opção disponível é o Corpo de Bombeiros.
Reações à Decisão da Prefeitura
Os cortes nas equipes têm gerado forte reação entre os profissionais da saúde, que temem que essa redução prejudique o atendimento em situações críticas que exigem rapidez e coordenação de esforços. Representantes da categoria estão se mobilizando para contestar a medida e já estão agendadas audiências públicas na Câmara Municipal. Uma delas ocorrerá no dia 22 de abril para discutir os cortes em geral, e outra no dia 5 de maio, focando nas alterações específicas do Samu.
A Conselheira Estadual de Saúde, Érika Santos, relatou que em uma reunião on-line realizada na última quinta-feira (16/4), os profissionais foram informados da não renovação dos contratos. “A prefeitura demonstrou falta de respeito com os trabalhadores que dedicam suas vidas a salvar outras vidas. Todos ficaram surpresos e preocupados com a notícia”, comentou Érika.
Ela lembrou que o Samu, criado em 2003, sempre atuou com dois técnicos de enfermagem e um condutor, e que em certas situações, como em casos de paradas cardiorrespiratórias, não é possível realizar o atendimento com apenas um técnico. “Para algumas emergências, precisamos de dois técnicos para garantir um atendimento eficaz”, afirmou.
Posicionamento da Prefeitura de Belo Horizonte
A Prefeitura de Belo Horizonte, através da Secretaria Municipal de Saúde, afirmou que 34 profissionais foram incorporados ao Samu durante a pandemia, por meio de contratos emergenciais com prazo de validade até 1º de maio, sem possibilidade de renovação. Em nota, a PBH garantiu que as equipes serão reorganizadas para evitar prejuízos no atendimento. “A Secretaria destaca que não haverá redução no número de ambulâncias”, afirma a nota.
Ainda de acordo com a prefeitura, todas as ações estão em conformidade com a Portaria nº 2.028/2002, que regula as condições de operação em outras cidades do Brasil. “É importante ressaltar que essa portaria estabelece que o número mínimo de profissionais em unidades de suporte básico é de um condutor e um técnico de enfermagem, modelo que será adotado em Belo Horizonte”, conclui a nota.
