Nova Era para a Fernão Dias
No dia 30 de março, o Ministério dos Transportes anunciou em Contagem (MG) a formalização da transferência do controle operacional da BR-381/MG/SP, popularmente conhecida como Fernão Dias, para a concessionária Motiva. O secretário-executivo do ministério, George Santoro, afirmou que esta nova etapa representa uma reestruturação significativa do modelo anterior de concessão. “O que celebramos hoje é a transição de um contrato. Reequilibramos as bases, incorporamos investimentos que não estavam previstos e, com isso, vamos entregar uma rodovia completamente diferente da observada nos últimos anos”, declarou Santoro durante a cerimônia.
A assinatura da autorização que oficializou a transferência contou com a presença do diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, e do CEO da Motiva Rodovias, Eduardo Camargo. A BR-381/MG/SP é crucial para a mobilidade no país, sendo a segunda rodovia mais movimentada com seus 569 quilômetros que conectam Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP). O trecho foi concedido à iniciativa privada em leilão realizado pelo Ministério dos Transportes em dezembro de 2025. Na ocasião, a Motiva apresentou uma proposta que incluía um desconto de 17,05% sobre a tarifa básica de pedágio e um investimento projetado de R$ 14,8 bilhões ao longo do contrato.
Reequilíbrio e Melhorias Estruturais
O leilão da Fernão Dias foi o quarto a utilizar um mecanismo de otimização desenvolvido pelo Ministério dos Transportes, com o apoio do Tribunal de Contas da União (TCU). O objetivo desse processo é modernizar e ajustar acordos de concessão que não estavam cumprindo suas metas. O diagnóstico para a rodovia revelou custos operacionais elevados, especialmente para o transporte de cargas, em razão do estado deteriorado do pavimento. Um dado preocupante é que, dos cerca de 250 mil veículos que transitam diariamente pelo trecho, 37,1% são caminhões. Em 2024, foram registrados 52 dias em que a pista ficou totalmente ou parcialmente interrompida devido a acidentes e tombamentos envolvendo veículos pesados.
Para mitigar essas questões, o novo contrato destina mais de R$ 5 bilhões exclusivamente para a recuperação e melhoria do pavimento. A Motiva, que surgiu da reestruturação do Grupo CCR, opera em 13 estados brasileiros e administra uma malha de 3.615 quilômetros de rodovias, atendendo diariamente cerca de 3,4 milhões de veículos.
Impactos Econômicos e Sociais
Além de facilitar o deslocamento entre São Paulo e Belo Horizonte, a Fernão Dias representa um eixo logístico estratégico, essencial para o transporte de insumos entre os dois estados, abrangendo desde minérios a bens agrícolas e industriais. Essas duas potências econômicas respondem por cerca de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) da região Sudeste e ocupam posições de destaque na produção nacional de itens como leite e café, que fazem parte do cotidiano dos brasileiros.
Um total de 33 municípios, tanto em São Paulo quanto em Minas Gerais, serão diretamente beneficiados por essa nova concessão, o que deve resultar na criação de mais de 137 mil empregos e no fortalecimento de diversas cadeias produtivas, rotas logísticas e na rotina de milhões de cidadãos.
Leilões e Futuras Concessões
Nos últimos três anos, o Ministério dos Transportes já realizou 22 leilões rodoviários, o que resultou na concessão de 10.578 quilômetros de estradas e na atração de mais de R$ 246 bilhões em investimentos. Para o ano de 2026, estão programados 13 novos leilões, os quais devem assegurar a destinação de R$ 148 bilhões em investimentos. O primeiro deles, referente ao trecho da BR-116/251/MG, conhecido como Rotas Gerais, ocorrerá nesta terça-feira (31) na Bolsa de Valores de São Paulo. Esse corredor federal estratégico possui 735 quilômetros e conecta importantes polos econômicos no norte de Minas Gerais, atendendo 24 cidades ao longo de sua extensão.
Avanços no Transporte Ferroviário
Além das melhorias rodoviárias, o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, acompanhado por Guilherme Sampaio, participou também da entrega de sete novas locomotivas fabricadas pela Wabtec para a VLI, que se juntarão à operação da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Essa adição de equipamentos visa aumentar a capacidade logística da malha ferroviária e reforçar a modernização do transporte de cargas no Brasil. “Essas renovações e investimentos buscam atender a três pilares: obras com o poder público, retorno financeiro para o investidor e tarifas acessíveis para o usuário. Com essa harmonia, tanto o Brasil quanto Minas Gerais poderão avançar”, finalizou Sampaio.
