Um Sonho que se Torna Realidade
Com um sorriso radiante, Flávio Trombino revela que 2026 começou de maneira especial para ele: “entrei a cavalo e galopando”. O chef mineiro está prestes a inaugurar um bar que homenageia sua grande paixão: os cavalos. O local, chamado Alter, será instalado no Bairro Belvedere, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e promete surpreender com uma de suas especialidades: o famoso bife a cavalo. O anúncio foi feito durante uma entrevista ao podcast Degusta, que contou também com a presença de seu sócio Cleber Guimarães, conhecido como Clebinho.
O desejo de abrir um bar já faz parte dos sonhos de Flávio desde a adolescência, quando tinha apenas 13 anos. “Minha irmã montou um bar nos anos 80 e me colocou para trabalhar como garçom na inauguração, pois não havia pessoal suficiente. Aquilo despertou um sonho que ficou guardado na minha memória”, compartilha o chef, relembrando o início do Xapuri, restaurante da família lançado em 1987 e que se tornou um verdadeiro sucesso.
Quatro décadas depois, Clebinho, que trabalha como fazendeiro e cozinheiro, sugeriu a Flávio a ideia de criar uma versão mais compacta do Xapuri em um novo endereço. Após um mês estudando o bairro e avaliando o espaço, Flávio percebeu que, embora pequeno, o lugar possuía uma varanda muito acolhedora, ideal para um bar, e não um restaurante. Com isso, ele decidiu dar vida ao seu sonho de infância.
Um Conceito que Reflete a Paixão por Cavalos
O nome Alter possui vários significados. Um deles remete à altura, já que o bar está localizado em um ponto elevado do Belvedere, onde há um mirante da cidade. Além disso, a palavra vem de “alter ego”, enfatizando que Flávio se distanciará um pouco do Xapuri para empreender em um projeto próprio. O nome também reflete o amor do chef pelos cavalos, que sempre estiveram presentes em sua trajetória de vida.
“Em mais de 20 anos, atuei como profissional de equitação. Os cavalos são uma parte importante da minha vida. Alter também é uma referência a Alter do Chão, em Portugal, de onde Dom João VI trouxe a coudelaria imperial para formar a cavalaria da Polícia Militar de Minas Gerais”, explica Trombino, acrescentando que a raça Alter-real deu origem ao Mangalarga Marchador, tornando Minas Gerais um verdadeiro celeiro da equinocultura.
A temática do bar será refletida em cada detalhe, desde a decoração até o cardápio. Flávio reaproveitou materiais de uma hípica que funcionava nos fundos do Xapuri, que fechou suas portas durante a pandemia. O balcão do Alter foi confeccionado com portas de cocheiras e as prateleiras foram feitas com porta-selas. “O ambiente foi pensado para trazer o aconchego de um quarto de sela ou um estábulo”, diz Flávio.
O bar contará com uma cozinha aberta, permitindo que os clientes acompanhem o preparo dos pratos e interajam com a equipe. “Diferente do Xapuri, que é muito grande e exige que eu me desloque para ver os clientes, aqui do balcão consigo observar tudo, estou mais próximo”, afirma o chef, que planeja ter um sino para avisar quando o pão de queijo sair do forno.
Uma Experiência Gastronômica Única
Quando o assunto é comida, o Alter se destaca pelas opções de bife a cavalo, que apresenta dois ovos fritos montados sobre a carne. Entre as versões estão o Marcha Batida, que traz carne de boi, e o Marcha Picada, feito com carne de porco – os nomes são uma homenagem aos diferentes tipos de marcha dos animais. Outra atração do cardápio será o Roncolho, um prato que leva uma única linguiça e um ovo, inspirado na expressão rural para um cavalo que possui apenas um testículo.
Os clássicos de boteco também farão parte do menu, como carne de panela e pé de porco, com um estilo descontraído. “Segunda-feira é o dia dos cozinheiros, porque muitos restaurantes fecham. É quando nos reunimos para cozinhar. O que faremos no Alter vai se basear nessa experiência”, destaca Clebinho.
Uma das iguarias servidas na conversa do podcast foi o chouriço, acompanhado de chucrute, mostarda escura e pimenta biquinho, lembrando o austríaco Herwig Gangl, fundador da cervejaria Krug Bier. Ele também é o criador da cerveja puro malte do Xapuri, que será comercializada no Alter.
Uma Carta de Cachaças Exclusivas
Para as bebidas, a cachaça será a grande estrela. Entre as opções, estão as produzidas por Clebinho em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte. A cachaça Saideira, por exemplo, envelhece de 24 a 36 meses em tonéis de carvalho europeu, enquanto a Abrideira passa um ano em jequitibá e amendoim. “Desde os 16 anos, comecei a fazer cachaça e a frequentar muitos bares, onde sempre me senti acolhido”, revela Clebinho, que também desenvolveu uma carta de cachaças com uma curadoria que vem aprimorando há mais de 20 anos.
Os rótulos serão distribuídos em categorias ouro, prata e bronze, de acordo com seu valor. Além disso, o bar criará o Clube da Garrafa, onde clientes VIP poderão ter suas cachaças exclusivas armazenadas em prateleiras especiais. O clássico drinque Rabo de Galo, feito com cachaça e vermute, também estará presente no menu, trazendo uma receita que remonta à década de 1950, quando imigrantes italianos adaptaram a bebida ao paladar brasileiro.
As bebidas serão servidas em copos estilo lagoinha, e o ambiente descontraído promete atrair amantes da gastronomia e da cultura mineira. “Aqui teremos lagoinha, lagoão, lagoaço”, brinca Clebinho, ressaltando a variedade e a leveza das opções.
Emocionado, Flávio reflete sobre a trajetória que o trouxe até aqui e como sua mãe, Nelsa Trombino, uma das matriarcas da cozinha mineira, apoiaria sua nova empreitada. “Penso que ela diria: ‘Menino, toma juízo. O que você está arrumando para sua cabeça?’ Mas, certamente, estaria ao meu lado”, diz o chef, enquanto lágrimas de alegria escorrem por seu rosto.
