A corrida pelo governo de Minas Gerais
Belo Horizonte — A disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026 está diretamente ligada ao interior do estado, que abriga a maior parte do eleitorado. Com mais de 16 milhões de cidadãos aptos a votar, apenas cerca de 2 milhões residem na capital. Diante deste panorama, dois potenciais candidatos — o governador Mateus Simões (PSD) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) — estão voltando seus esforços para as cidades médias e as áreas mais empobrecidas do estado, onde esperam conquistar votos do eleitorado de direita.
Desde que assumiu o cargo, Simões tem focado sua agenda em municípios fora de Belo Horizonte. Em contrapartida, Cleitinho tem enfatizado sua conexão com as regiões menos privilegiadas, lembrando suas origens. Embora estejam em lados opostos da disputa, ambos os políticos mantêm um diálogo que poderia resultar em uma eventual aliança, mas, por enquanto, a competição por votos se intensifica à medida que o pleito de outubro se aproxima.
Simões, que substituiu Romeu Zema (Novo) em 22 de março, adotou uma agenda enérgica de viagens por Minas. Em pouco mais de duas semanas, visitou pelo menos 10 cidades, incluindo áreas como a Zona da Mata, o Triângulo Mineiro, o Vale do Aço e o Sul de Minas Gerais. Com a meta de percorrer o estado em 100 dias consecutivos, o governador tem priorizado a vistoria de obras, a inauguração de unidades de saúde, o anúncio de novos investimentos e reuniões com líderes locais, sempre reforçando a imagem de um “governo presente”.
Desempenho e estratégias eleitorais
Essa movimentação é parte da estratégia de viabilização eleitoral de Simões. Ele é um dos poucos políticos que já demonstraram a intenção clara de concorrer ao governo, embora ainda apresente números baixos nas pesquisas de intenção de voto. Entretanto, Simões acredita que pode melhorar seu desempenho ao considerar a possibilidade de que Cleitinho, atual líder nas pesquisas, decida não concorrer ao Palácio Tiradentes.
Por sua vez, Cleitinho também está seguindo uma linha de atuação semelhante, mas com uma abordagem diferente, reforçando sua conexão histórica com o interior. Originário de Divinópolis, no centro-oeste de Minas, Cleitinho construiu sua carreira política fora da capital, tendo sido vereador e com um irmão, Gleidson Azevedo (Republicanos), que já atuou como prefeito da cidade. Essa ligação familiar e política fortalece sua base no interior.
Nos últimos meses, Cleitinho tem intensificado sua presença digital, veiculando mensagens que se dirigem diretamente às regiões vulneráveis. Em um vídeo recente, prometeu estabelecer uma sede administrativa no Vale do Jequitinhonha e no Norte de Minas, caso seja eleito. “Vou trabalhar para todas as regiões, mas quero um holofote no Vale do Jequitinhonha. Preciso cuidar de onde mais precisa. As regiões mais carentes estão ali”, afirmou.
Convergência de estratégias
Apesar das distinções em suas abordagens, tanto Simões quanto Cleitinho convergem em um ponto crucial: a aposta no interior como uma estratégia para solidificar seu capital político. Para Simões, isso implica na presença institucional e na entrega de obras e serviços, seguindo a linha de seu antecessor, Romeu Zema, que também construiu sua base eleitoral fora da região metropolitana. Simões conta ainda com o apoio direto de Zema, que deverá concorrer à Presidência da República, o que pode fortalecer sua posição dentro do grupo político.
Por outro lado, Cleitinho tem investido em uma narrativa direta, utilizando uma linguagem popular nas redes sociais e defendendo as regiões historicamente menos assistidas. Essa estratégia tem gerado maior visibilidade e um desempenho inicial mais favorável nas pesquisas de intenção de voto.
Com uma disputa acirrada pela preferência dos eleitores nas regiões interioranas, o cenário eleitoral de Minas Gerais se desenha como uma batalha estratégica entre dois candidatos que, mesmo com estilos diferentes, buscam o mesmo objetivo: o governo do estado.
