Iniciativa Busca Mobilizar Comunidades em Defesa da Saúde e do Meio Ambiente
Na última segunda-feira (24), o Ministério da Saúde deu um importante passo no combate aos efeitos da crise climática na saúde e na alimentação ao lançar o projeto “Mudanças Climáticas, Saúde e Alimentação – Rede de Comitês Populares Ambientais em Territórios das Periferias”. A ação, que conta com um investimento de R$ 3,5 milhões, visa a criação de uma rede de comitês populares ambientais, promovendo um diálogo eficaz entre as comunidades e as políticas públicas.
O evento de lançamento aconteceu na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Recife, Pernambuco. O projeto é direcionado a representantes de movimentos sociais e da sociedade civil, abrangendo pessoas com diferentes níveis de escolaridade, desde o ensino fundamental até a formação superior. Também são bem-vindos alunos de graduação e pós-graduação, além de professores de instituições públicas de ensino e pesquisa.
A representante do Ministério da Saúde, Lívia Méllo, ressaltou a importância de engajar a população na construção de soluções para enfrentar os desafios ambientais. “Esse projeto é crucial porque, frequentemente, só tomamos medidas quando os desastres já ocorreram. A pandemia é um exemplo claro de como a interferência humana no meio ambiente pode levar a crises. Precisamos valorizar as experiências e soluções já desenvolvidas pelas comunidades e incorporá-las como tecnologias sociais dentro do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirmou.
Leia também: Regulamentação das Escolas de Saúde Pública no SUS: Um Passo Importante
Leia também: Emergência na Saúde Pública de Belo Horizonte: Revelações sobre o Subfinanciamento
Formação de Comitês e Agentes Populares Ambientais
Além de abordar os impactos da crise climática, o projeto prevê a criação de 135 Comitês Populares Ambientais em áreas periféricas de regiões metropolitanas, sendo 90 localizados em Pernambuco e 45 na Paraíba. A proposta tem como objetivo fortalecer a articulação entre clima, saúde e alimentação através dos princípios da educação popular.
Esses comitês estimularão a solidariedade comunitária e a vigilância popular em saúde, promovendo uma troca entre os saberes técnicos e as experiências da população. A iniciativa também visa transformar em ações práticas as diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) e da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS).
Leia também: Prefeitura de BH Decreta Emergência em Saúde Pública Por Aumento de Doenças Respiratórias
Leia também: Belo Horizonte Decreta Emergência em Saúde Pública Devido ao Aumento de Doenças Respiratórias
Para garantir a efetividade da proposta, o projeto formará 27 estudantes de graduação e pós-graduação que atuarão como monitores. Esses monitores serão responsáveis por preparar 270 Agentes Populares Ambientais, além de apoiar o planejamento e o acompanhamento das atividades nas comunidades.
Papel dos Agentes na Rede de Comitês
A formação dos Agentes Populares Ambientais terá uma carga horária total de 168 horas. Cada comitê contará com a participação de dois agentes e até dez moradores da comunidade, sendo que cada monitor será responsável por cinco comitês, supervisionando diretamente dez agentes.
A atuação dos agentes será fundamental na criação e fortalecimento da rede, atuando no planejamento e coordenação das atividades nas comunidades. Eles também desenvolverão estratégias de comunicação popular, fundamentais para dar visibilidade às questões locais e combater a desinformação sobre as interações entre clima e saúde.
Para Alice Albuquerque, uma das agentes populares ambientais e estudante de artes que reside no Centro de Recife, a iniciativa representa uma chance de estreitar o diálogo com as populações locais. “Vamos escutar quem vive ali, quem conhece os problemas de perto, e buscar soluções coletivas. Nosso papel não é apenas ensinar, mas construir conhecimento de forma colaborativa e popular”, destacou.
Os agentes serão escolhidos por movimentos sociais e deverão ter atuação nas áreas periféricas das regiões metropolitanas de Recife e João Pessoa. Entre os requisitos para a seleção, estão ter no mínimo 16 anos, disponibilidade de horários, experiência com educação popular e afinidade com os temas das mudanças climáticas. O projeto é coordenado pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz PE) em parceria com as organizações Mãos Solidárias, Universidade de Pernambuco (UPE) e Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
