Alerta sobre os Riscos do Uso de Anabolizantes
“Quando se trata de hormônios, a saúde global do paciente deve ser uma prioridade.” A afirmação é do endocrinologista Luis Guilherme Menegucci, que expressou sua preocupação quanto aos perigos do uso de anabolizantes e medicamentos para emagrecimento sem a orientação de um profissional. Este alerta surge após uma operação da Polícia Civil de Minas Gerais, realizada na manhã de sexta-feira (1º/5), no bairro Betânia, em Belo Horizonte, onde foram apreendidos anabolizantes irregulares.
A operação resultou na prisão de três indivíduos suspeitos de comercializar esses produtos de forma ilegal. Segundo investigações, o grupo tinha uma estrutura organizada, com diversos pontos de venda pela capital e uma logística própria para a distribuição das substâncias.
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As investigações indicam que parte dos produtos era oriunda de contrabando, furtos e desvios de cargas, configurando crimes contra a saúde pública, além de contrabando e receptação. A ação policial foi desencadeada após um monitoramento de uma loja de suplementos, onde um homem foi flagrado descarregando sacolas com anabolizantes. Abordados, ele e uma mulher na loja alegaram não saber sobre a origem ilícita dos produtos. Com o avanço das investigações, um imóvel utilizado como depósito foi descoberto, onde um terceiro suspeito foi detido. Segundo a Polícia Civil, ele era responsável pelo armazenamento e fracionamento das mercadorias antes de sua distribuição.
No total, foram apreendidos aproximadamente 60 mil ampolas e frascos, além de mais de 10 mil comprimidos e outros medicamentos cuja comercialização é proibida ou restrita. Todo o material foi enviado para perícia. Uma quarta pessoa já foi identificada como responsável pela venda e recrutamento dos demais membros do esquema, mas permanece foragida.
Problemas em Escala Nacional
Dados nacionais destacam a gravidade da situação. Entre janeiro e abril deste ano, a Receita Federal e a Polícia Federal apreenderam mais de 59 mil canetas emagrecedoras irregulares em todo o país, enquanto, no ano anterior, o total foi de cerca de 32 mil. De acordo com a Anvisa, somente em 2026, o número de medicamentos irregulares, produtos estéreis e anabolizantes apreendidos já ultrapassou 1,3 milhão de unidades.
O endocrinologista destaca a preocupação com a origem dos produtos. “Não sabemos como ocorreu o transporte e o armazenamento, nem quais substâncias o paciente realmente está utilizando. Sem esse controle, é como apostar a saúde”, explica ele. Entre os itens apreendidos, estavam substâncias como decanoato de nandrolona, um esteroide anabolizante derivado da testosterona, e diferentes sais de testosterona, que são utilizados para tratamentos médicos específicos, como reposição hormonal e tratamento de perda de massa muscular. No entanto, o uso indiscriminado pode resultar em efeitos colaterais sérios, incluindo alterações hormonais, problemas cardiovasculares e danos aos rins.
O especialista também ressalta o uso dessas substâncias para fins estéticos. “O coração, sendo um músculo, pode hipertrofiar. Por isso, é imprescindível um acompanhamento médico rigoroso”, alerta.
Um fator que contribui para o aumento do consumo é o preço mais acessível no mercado ilegal. De acordo com o médico, esses custos baixos podem mascarar riscos ainda mais alarmantes. “Muitas dessas medicações são falsificadas ou não passam por controle de qualidade, elevando significativamente o risco envolvido”, ressalta.
A Polícia Civil continua a investigar o caso para localizar outros envolvidos na operação. As autoridades reiteram que a venda e o consumo de medicamentos irregulares não só constituem crime, mas também representam um grave risco à saúde pública.
