Artes Visuais no FAN Espiralar: Cultura Negra em Destaque
Entre os dias 11 e 14 de junho, Belo Horizonte se transforma em um palco para as artes visuais durante o FAN Espiralar, uma das principais programações do Festival de Arte Negra da cidade. Com intervenções urbanas, fotografia documental, instalações monumentais e experimentações visuais contemporâneas, o evento ocupa diversos espaços do Centro da capital mineira, criando territórios de encontro, reflexão e reconhecimento. As obras dialogam com o tema da edição ao conectar passado, presente e futuro, evocando as ancestralidades negras, memórias coletivas e as experiências da diáspora africana.
Intervenções e Instalações que Contam Histórias de Ancestralidade
Um dos momentos mais aguardados acontece já no primeiro dia, 11 de junho, às 14h, no Centro de Referência da Cultura Urbana (CRCURB) Viaduto Santa Tereza, com a pintura ao vivo em graffiti 3D “Espiral do Retorno: Agudás entre Continentes”, do artista Ed-Mun. Inspirada na vivência do artista no Benin em 2022, a obra mergulha na trajetória dos Agudás, africanos que retornaram do Brasil para o continente africano, construindo uma narrativa visual sobre deslocamentos, pertencimento e continuidade. A intervenção em formato de espiral transforma a criação artística em uma experiência compartilhada, conectando território, memória ancestral e as expressões contemporâneas da cultura negra.
Entre os dias 12 e 14 de junho, ainda no Viaduto Santa Tereza, a artista Massuelen Cristina Xavier apresenta a instalação “Às Margens do Velha”. Composta por cinco fotografias sublimadas em tecido, a obra retrata as matriarcas do Quilombo Xavier Cirilo, localizado em Sabará. As imagens de Dinorá, Dolores, Sueli, Simone e Solange ocupam o espaço urbano em escala monumental, reafirmando a força e a presença das mulheres quilombolas na construção da memória coletiva. Originalmente exibida na mostra Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira, no Centro Cultural Banco do Brasil, a instalação ganha um novo significado ao ser exibida em um dos pontos públicos mais emblemáticos de Belo Horizonte, transformando o viaduto em um símbolo de resistência e pertencimento.
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Fotografia Documental e Contemporânea nos Jardins do Teatro Francisco Nunes
Nos jardins do Teatro Francisco Nunes, no Parque Municipal, o público tem acesso a duas exposições fotográficas que ampliam os olhares sobre a experiência negra contemporânea. A primeira, “Chromatrópica”, do fotógrafo Ítalo Almeida, reúne oito anos de pesquisa realizada exclusivamente com câmeras de celular. Organizada em núcleos cromáticos, a mostra explora a cor como elemento narrativo, investigando as relações entre cotidiano, afeto e ocupação dos espaços urbanos. As imagens transitam entre Belo Horizonte e Joanesburgo, criando pontes entre territórios da diáspora africana e promovendo uma reflexão sobre identidade, pertencimento e democratização do fazer artístico por meio de tecnologias acessíveis.
A segunda exposição, “O Que Era do Lado de Cá”, de Du Retratista, apresenta uma série delicada de fotografias documentais produzidas na década de 1990 na Vila Estrela, comunidade do Morro do Papagaio. Em parceria com o projeto Retratistas do Morro, a mostra reúne retratos da família Gonçalves, revelando cenas de afeto, convivência e cotidiano capturadas pelo olhar sensível de Manoel do Rosário Azevedo, o Du Retratista. Ao resgatar essas imagens, a exposição recupera histórias muitas vezes ausentes dos registros oficiais da cidade, reafirmando o poder da fotografia como ferramenta de preservação da memória e valorização das vivências periféricas.
Arte como Ferramenta de Memória e Transformação Social
Ao ocupar espaços públicos e equipamentos culturais, a programação de artes visuais do FAN Espiralar reafirma a arte como uma ferramenta fundamental para a memória, transformação social e construção de futuros possíveis. As atividades gratuitas convidam o público a percorrer narrativas que atravessam continentes, gerações e experiências, fortalecendo o compromisso do festival com a valorização das culturas negras e suas múltiplas expressões artísticas.
Confira a programação completa do FAN Espiralar e aproveite as exposições e intervenções que celebram a cultura negra em Belo Horizonte entre 11 e 14 de junho, em locais como o Parque Municipal, CRCURB – Viaduto Santa Tereza e Teatro Francisco Nunes.
