Trump questiona estratégia israelense no Líbano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta terça-feira (16) os ataques de Israel ao Hezbollah no Líbano e sugeriu que a Síria deveria ser a responsável por combater o grupo xiita apoiado pelo Irã. Durante encontro com jornalistas em Évian-les-Bains, na França, onde participa da cúpula do G7, Trump afirmou que Israel tem atuado de forma exagerada, resultando na morte de muitas pessoas inocentes.
“Israel está combatendo o Hezbollah há tempo demais, e pessoas demais estão sendo mortas”, declarou o presidente americano. Ele também condenou os ataques que atingem prédios residenciais inteiros, ressaltando que nem todos os moradores têm ligação com o grupo armado.
Divergências entre Trump e Netanyahu
As críticas de Trump surgem em meio a tensões entre ele e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apelidado por Trump como “Bibi”. O presidente dos EUA manifestou insatisfação com a ofensiva israelense, considerada “brutal” e desproporcional, especialmente em resposta a ataques de drones que ele classificou como de menor importância.
“Temos uma ótima relação, mas não gostei do fato de ele ter realizado um ataque por causa de drones de menor importância. Foi algo brutal e foi longe demais”, disse Trump. Ele cobrou maior responsabilidade de Netanyahu em relação ao Líbano, afirmando que a situação poderia prejudicar as negociações de um acordo com o Irã.
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Proposta inusitada: Síria como combatente do Hezbollah
Em uma declaração considerada incomum, Trump sugeriu que o presidente sírio Ahmed al-Sharaa, que assumiu o poder em 2024 após a queda de Bashar al-Assad, deveria assumir a responsabilidade de combater o Hezbollah no Líbano, ao invés de Israel.
“Se Israel não consegue fazer o trabalho sem matar todo mundo, ele [al-Sharaa] fará o trabalho. A Síria fará o trabalho”, afirmou o presidente americano. Essa é a manifestação pública mais clara de Trump a favor de uma intervenção síria no país vizinho.
Nos últimos meses, segundo fontes do Financial Times, autoridades americanas tentaram obter o apoio de Damasco para conter o Hezbollah, mas a proposta enfrenta resistência das autoridades sírias, que priorizam a reconstrução do país após anos de guerra e buscam estreitar relações econômicas e políticas com o Líbano.
Al-Sharaa desmentiu recentemente rumores sobre uma possível intervenção síria, afirmando que a Síria apoia o cessar-fogo e a estabilidade na região, além de buscar fortalecer os laços econômicos com o Líbano.
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Fonte: agazetadorio.com.br
Pressão americana para conter ataques em Beirute
Trump tem expressado repetidamente sua frustração com a ofensiva israelense no Líbano, especialmente em relação aos ataques contra Beirute. Ele acredita que a continuidade dos confrontos prejudica o avanço das negociações de um acordo com o Irã.
“Não estou satisfeito com a forma como Israel tem lidado com o Líbano e com o Hezbollah. Isso simplesmente continua para sempre e, quando isso acontece, lança uma sombra negativa sobre o grande acordo, que é o acordo com o Irã”, afirmou o presidente.
Desde que assumiu a presidência, Ahmed al-Sharaa busca apoio de Trump e se tornou o primeiro presidente sírio em décadas a visitar a Casa Branca, além de participar formalmente da coalizão contra o Estado Islâmico.
