A exposição que conecta passado e presente
Com o tema “Mestres e Influências: A Construção do Olhar”, o artista belo-horizontino Ramaya apresenta uma mostra inédita com 45 obras no Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte, a partir do dia 22 de julho. A exposição destaca como grandes nomes da arte, ciência e cultura continuam vivos no presente por meio de suas ideias e inspirações.
Em entrevista ao Itatiaia, Ramaya explica que nenhum artista cria no vazio. “Antes de cada pincelada, existe uma história formada por pessoas que ousaram pensar diferente, romper limites e abrir novas formas de compreender o mundo. Leonardo da Vinci, Van Gogh, Frida Kahlo, Edward Hopper, Belchior, Juscelino Kubitschek, Homero e tantos outros não são personagens do passado, mas continuam vivos porque suas ideias atravessam nosso tempo”, afirma.
O artista reforça que seu trabalho não busca reproduzir as obras desses mestres, mas dialogar com elas. “Cada pintura nasce desse encontro entre memória e contemporaneidade. É como se cada mestre oferecesse uma pergunta, e eu respondesse com a linguagem do presente, usando minha voz. O resultado não é uma releitura, mas uma continuidade. Para mim, nenhum mestre é um destino, mas uma direção. Essa construção permanente do olhar é o que convido o público a experimentar na exposição”, completa.
A linguagem do Realismo Abstrato e as emoções por trás das imagens
Ramaya desenvolve suas obras na linguagem que chama de Realismo Abstrato, onde o realismo e a abstração deixam de ser caminhos opostos para caminhar juntos. “O realismo traz a presença, aquilo que reconhecemos de imediato, enquanto a abstração revela o que não pode ser fotografado: a memória, a emoção, o silêncio, o tempo e a experiência humana”, explica.
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Ele destaca que não pinta apenas um rosto, mas tudo o que está por trás dele. “As cores, texturas e gestos dialogam com a emoção da obra tanto quanto a fidelidade da figura. O visitante identifica a pessoa retratada, mas permanece diante da pintura porque percebe algo além da imagem. É nesse espaço invisível que acredito que a arte realmente acontece”, conclui.
Processo criativo marcado pela investigação e conexão pessoal
Segundo Ramaya, nenhuma obra começa diretamente na tela. “Ela nasce muito antes, em leituras, conversas, filmes, viagens, músicas ou perguntas que permanecem dias, às vezes meses, sem resposta. Meu processo criativo é investigativo. Antes de pintar, procuro entender quem foi aquela pessoa, qual transformação provocou e por que sua presença ainda importa hoje”, revela.
O artista acrescenta que, quando essa pesquisa amadurece, a pintura deixa de ser uma simples representação para se tornar uma interpretação. “Meu repertório pessoal conduz esse processo porque toda criação é também um autorretrato. Cada obra carrega um pouco da minha trajetória, referências e da forma como aprendi a enxergar o mundo. Pintar para mim é organizar visualmente perguntas que talvez nunca tenham resposta definitiva”, afirma.
Uma experiência imersiva para o visitante
A mostra será realizada no Museu Inimá de Paula, situado na Rua da Bahia, 1201, no Centro de Belo Horizonte. Ramaya criou um espaço que recria seu ateliê dentro do museu, aproximando o público do ambiente onde suas pinturas começam a existir. “Mais do que mostrar pincéis, tintas e telas, essa sala revela um universo silencioso de dúvida, pesquisa, experimentação e descoberta”, comenta.
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Ele espera que os visitantes compreendam que toda grande obra nasce de um processo e não de um instante. “O ateliê é o espaço onde o erro faz parte da criação, onde uma ideia pode amadurecer semanas até encontrar sua forma definitiva. Ao entrar ali, desejo que percebam que a arte acontece muito antes da tela concluída — no pensamento, na observação e na coragem de construir um novo olhar”, conclui.
Recursos tecnológicos aproximam público e obra
Para enriquecer a experiência, todas as pinturas da exposição terão tags NFC e QR Codes exclusivos. Ao aproximar o celular ou escanear o código, o público terá acesso a conteúdos especialmente desenvolvidos, incluindo a biografia do personagem retratado, seu contexto histórico, a inspiração para a obra e o diálogo que o artista construiu com aquele mestre ou influência.
Esses materiais revelam por que cada figura foi escolhida e como sua presença ressoa em nosso tempo, oferecendo uma visão aprofundada que vai além da superfície da pintura.
