Manifesto cobra participação na verba destinada a grandes clubes
Clubes do interior de Minas Gerais uniram forças para lançar o “Manifesto do futebol mineiro“, reagindo à decisão do governo estadual de destinar R$ 32 milhões em patrocínio exclusivamente para Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG. O valor foi disponibilizado após a perda dos contratos desses times com casas de apostas, devido a mudanças nas regras do setor promovidas pela Medida Provisória federal.
O manifesto, assinado por equipes das divisões inferiores, reivindica uma audiência com o governo do estado e com representantes das empresas estatais, com a intermediação da Federação Mineira de Futebol (FMF). Entre as demandas principais, estão a definição de critérios objetivos e transparentes para a partilha dos recursos, além da inclusão das categorias de base, do futebol feminino e de clubes das divisões Módulos I e II e da Segunda Divisão.
Detalhes do pacote anunciado pelo governo estadual
O governo de Minas anunciou, em 29 de março, que o pacote de patrocínios totaliza R$ 32 milhões, sendo R$ 15 milhões destinados ao Atlético-MG e Cruzeiro, e R$ 2 milhões para o América-MG. As marcas da Cemig e da Codemge serão exibidas nas camisas dos clubes, em espaços a serem definidos. Além disso, há negociações em andamento para incluir o Athletic, de São João del-Rei, e o Uberlândia, campeão da Série D.
Os contratos preveem contrapartidas sociais, como investimentos no futebol feminino e a distribuição de ingressos gratuitos a estudantes de baixa renda para partidas selecionadas. O governo ressaltou que as condições serão discutidas individualmente com cada clube, considerando os patrocínios já existentes.
Clubs do interior buscam ampliar impacto social e econômico
Os times do interior argumentam que o futebol em Minas Gerais tem impacto social e econômico que extrapola Belo Horizonte. Por isso, defendem que os recursos públicos sejam distribuídos de forma mais abrangente. A criação de cotas por divisão e a destinação de verbas para a formação de atletas e para o futebol feminino são pontos centrais do manifesto.
A reação dos clubes ocorre em meio à polêmica provocada pela Medida Provisória federal que suspendeu as operações das casas de apostas no país, afetando diretamente os contratos de patrocínio no futebol. A determinação estabeleceu prazos para que os apostadores retirem seus valores e para a retirada da publicidade relacionada a essas plataformas.
Com a queda dos patrocínios privados, o aporte de R$ 32 milhões pelo governo estadual se apresenta como uma resposta emergencial. No entanto, os clubes do interior buscam uma participação mais justa e ampla, que considere a diversidade do futebol mineiro e o desenvolvimento das categorias inferiores e do futebol feminino.
