Expectativas de Alta nos Preços do Feijão em Belo Horizonte
Quem faz as compras de supermercado em Belo Horizonte percebeu um aumento significativo no preço do feijão carioca nos últimos meses. Um levantamento encomendado por O TEMPO ao Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead-UFMG) revelou que o produto, que era comercializado a R$ 6,67 em novembro do ano passado, agora custa R$ 7,39 na primeira semana de fevereiro. Isso representa uma alta de 10,8% em menos de quatro meses.
Outras fontes de pesquisa, como o site Mercado Mineiro, indicam um aumento ainda mais acentuado no preço do feijão, com uma elevação de 31,6% em apenas dois meses. Esse cenário de alta contínua atrai a atenção de consumidores e especialistas do setor.
Mariana Marotta, analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, explica que o aumento nos preços se deve à redução da oferta do produto no mercado. “A safra atual do feijão começou em outubro do ano passado e vai até setembro deste ano. Ela é dividida em três fases e, em Minas Gerais, houve atraso na primeira etapa devido às chuvas. Se houver novos atrasos na plantação da segunda fase, os preços podem continuar subindo”, alerta.
Dados do Centro de Pesquisa Econômica Aplicada (Cepea), ligado à Esalq/USP, apontam que, em 13 de fevereiro, no noroeste de Minas Gerais, a cotação da saca de 60 quilos do feijão-carioca de qualidade superior alcançou R$ 315,45, o que representa um aumento de 16,5% desde o início de fevereiro. Essa alta significativa levanta preocupações sobre a situação do consumidor.
Eduardo Antunes, gerente de pesquisa da Fundação Ipead-UFMG, destaca que o feijão carioca enfrenta uma das maiores elevações de preço dos últimos anos. “Isso ocorre devido à oferta limitada e atrasos na colheita. Em Belo Horizonte, os consumidores devem se preparar para preços elevados pelo menos no médio prazo, a menos que uma quantidade significativa da nova safra chegue para estabilizar os custos”, comenta.
Menor Safra de Feijão em Anos
Além dessa questão pontual, há uma previsão preocupante para a safra total brasileira de 2025/2026, que deve ser a menor em quatro anos. Informações divulgadas recentemente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a produção de feijão no Brasil será de aproximadamente 2,97 milhões de toneladas, a menor desde a safra 2021/2022.
Quando são consideradas as importações e os estoques iniciais, a disponibilidade interna está projetada em 3,09 milhões de toneladas, a menor em uma década, desde 2015/2016, quando a estimativa era de 3,04 milhões de toneladas. Esse cenário preocupa tanto os consumidores quanto os produtores, levantando questões sobre como lidar com a escassez.
Para aqueles que buscam opções, Eduardo recomenda duas alternativas: “É aconselhável comprar o feijão em quantidade moderada ou optar pelo feijão preto, que está mais acessível e com melhor oferta neste mês”, sugere o gerente da Fundação Ipead-UFMG. Com essas dicas, o consumidor pode encontrar formas de contornar o aumento dos preços e garantir sua alimentação.
