Decisão Judicial e Medidas de Monitoramento
A servidora da Polícia Civil, Vanessa de Lima Figueiredo, de 44 anos, passará a utilizar uma tornozeleira eletrônica, conforme determinou a 4ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte. Ela é alvo de uma denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que a acusa de peculato, ao se apropriar de aproximadamente 200 armas, além de dinheiro e outros itens que estavam sob a responsabilidade da 1ª Delegacia de Polícia Civil do Barreiro.
A decisão judicial estabelece que Vanessa deve permanecer dentro do perímetro urbano de Belo Horizonte e não pode se ausentar da cidade por mais de oito dias. Além disso, foi determinado que ela entregue seu passaporte, tornando-se proibida de deixar o país durante o andamento do processo.
Indícios de Fuga e Medidas Preventivas
Segundo informações da Justiça, o monitoramento foi solicitado após o MPMG apontar que a servidora adquiriu uma passagem aérea internacional para Miami, nos Estados Unidos, com partida marcada para 20 de março de 2026, apenas quatro dias antes da Audiência de Instrução do caso. Este fato foi interpretado pelo órgão como uma clara intenção de fuga, o que poderia comprometer a instrução processual e a aplicação da legislação penal.
O juiz Bruno Sena Carmona enfatizou que, mesmo com o cancelamento da reserva da passagem, a possibilidade de fuga não poderia ser ignorada. Para ele, a situação revelava um plano concreto de evasão, que se concretizou antes mesmo do início da ação penal.
“O cancelamento, por si só, não elide por completo a preocupação deste juízo, pois demonstra que a possibilidade de se ausentar do país era um plano concreto, ainda que antes da deflagração da ação penal”, declarou o magistrado.
Implicações e Reforço na Fiscalização
O juiz também argumentou que a gravidade das acusações, somada ao potencial lesivo das ações de Vanessa, justificava a implementação de medidas rigorosas para garantir o bom andamento do processo e, consequentemente, a aplicação da lei penal. Ele considerou que a imposição da monitoração eletrônica, juntamente com a retenção do passaporte, são ações “adequadas” e “suficientes” para mitigar o risco de fuga, assegurando que a servidora permaneça à disposição da Justiça, sem, no entanto, inviabilizar sua liberdade de locomoção dentro do território nacional.
A rádio Itatiaia tentou contatar a defesa de Vanessa, mas até o fechamento desta matéria, não houve retorno. A matéria será atualizada quando houver um posicionamento da defesa.
Acusações de Desvio de Armas e Dinheiro
Vanessa de Lima Figueiredo foi formalmente denunciada pelo MPMG, que alegou que a servidora teria se apropriado não apenas de armas, mas também de quantias em dinheiro e outros objetos que estavam sob a responsabilidade da sala de acautelamento da 1ª Delegacia de Polícia Civil do Barreiro, em Belo Horizonte, entre os dias 20 e 29 de outubro.
A investigação revelou que a denunciada, junto a outra servidora, era a única com acesso à chave da sala, que abrigava armas de fogo e valores apreendidos em operações policiais. O controle sobre a entrada e saída dos materiais era feito através de recibos eletrônicos, e em diversos casos, Vanessa era a responsável pela movimentação dos itens, sem que houvesse registros de repasse a outros servidores.
Em 29 de outubro de 2025, um inventário foi instaurado para verificar os objetos em custódia da delegacia. Durante o processo, foi constatado o sumiço de cerca de 200 armas de fogo, além de valores em dinheiro e outros itens, com alguns pacotes encontrados abertos e vazios. A servidora foi presa em 19 de novembro de 2025, mas obteve liberdade provisória em 13 de fevereiro de 2026.
