Iniciativa Promove a Participação Feminina na Política
No Brasil, a cada seis horas, uma mulher se torna vítima de feminicídio, colocando o país como o 5º no ranking mundial desse crime alarmante. Além disso, a representatividade feminina continua a ser um desafio, com os homens ocupando três vezes mais cargos executivos e legislativos. Neste contexto desafiador, a Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) lançou, nesta terça-feira (24/3), a segunda edição do programa “Mulheres em Foco”, uma capacitação projetada para estimular a participação feminina na política e fortalecer as Procuradorias da Mulher em municípios mineiros.
O curso é direcionado a vereadoras, vereadores, servidores e servidoras das Câmaras Municipais, além de mulheres que desejam se inserir na vida pública. Essa iniciativa resulta de um Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a DPMG, o Ministério das Mulheres e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), através da Procuradoria da Mulher.
Abertura do Evento e Defensoria da Representatividade
A defensora pública-geral, Raquel Gomes de Sousa da Costa Dias, deu início ao evento ressaltando a importância da presença feminina em espaços de decisão política. “Quando uma mulher assume um cargo de liderança, ela não representa apenas a si mesma, mas muitas outras que precisam de voz e oportunidade”, comentou Raquel, enfatizando a relevância de uma representação diversificada na política.
Raquel da Costa Dias também reforçou o compromisso da DPMG com a transformação social por meio da justiça. “Atuar no sistema de Justiça é uma oportunidade de mudar vidas. É essencial que mulheres ocupem posições estratégicas para inspirar outras a trilhar esse caminho”, acrescentou a defensora.
Violência e Silenciamento das Mulheres
Durante o evento, a deputada estadual Ione Pinheiro destacou a urgência da discussão sobre a invisibilidade e o silenciamento das mulheres, que muitas vezes culminam em situações extremas. “Em 2025, 1.470 vidas foram perdidas para o feminicídio”, alertou. Para Ione, a colaboração entre a DPMG, o Ministério das Mulheres e a ALMG é vital para fortalecer políticas que combatam a violência contra as mulheres.
Desigualdade de Gênero e a Necessidade de Mudança
A promotora de Justiça Ana Tereza Giacomini, coordenadora do Centro Estadual de Apoio às Vítimas do MPMG, ressaltou a importância do encontro, especialmente em um momento que se aproxima do término do mandato da defensora-geral. Ela lembrou que a violência contra a mulher vai além da agressão física. “A exclusão das mulheres dos espaços de poder perpetua diversas formas de violência”, declarou.
Transformação Através da Formação Política
A coordenadora estadual de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres da DPMG, Luana Borba Iserhard, afirmou que o curso representa uma ferramenta essencial para converter conhecimento em ação. Ela trouxe à tona dados que revelam a desigualdade na participação feminina na política: “No cenário mundial, os homens ocupam mais de três vezes o número de cargos executivos e legislativos. O Brasil ocupa a 133ª posição em representação parlamentar feminina”, apontou Luana.
Para Luana, essa desigualdade não afeta apenas as mulheres, mas toda a sociedade. “Espaços inclusivos geram políticas públicas mais eficazes. Quando as mulheres são afastadas da política, todos perdem”, concluiu.
Estimular a Atuação Política das Mulheres
A defensora pública Silvana Lobo, coordenadora da Escola Superior, reforçou a importância de incentivar as mulheres a se envolverem na vida pública. “Não basta apenas criticar de longe. Precisamos estar presentes onde as leis são criadas”, destacou Silvana.
Ela também destacou a necessidade de políticas afirmativas, mas expressou esperança em um futuro onde essas medidas não sejam mais necessárias. “Sonho com um dia em que não precisaremos de cotas, mas isso depende do nosso trabalho contínuo”, finalizou.
O Papel do Estado e a Articulação Institucional
A coordenadora-geral de Participação Política das Mulheres em Espaço de Poder do Ministério das Mulheres, Edneide Arruda Pereira, afirmou que a luta contra as desigualdades exige ação governamental. “Os movimentos sociais são cruciais, mas o Estado deve fazer a sua parte, especialmente contra a violência política”, enfatizou.
Edneide também destacou os desafios nas áreas de educação, cultura e segurança, reforçando a importância de parcerias institucionais. “É encorajador saber que há uma ação eficaz em andamento”, complementou.
O programa contará com uma série de encontros, sendo que mais de 80 participantes se inscreveram para esta edição do “Mulheres em Foco”. As próximas atividades ocorrerão nos dias 25, 26 e 27 de março, tanto presencialmente no Auditório da DPMG quanto online pela plataforma ESDEP EAD.
Próximos Passos e Compromisso Institucional
O programa também fornecerá orientações às Procuradorias da Mulher sobre a elaboração de propostas legislativas, fiscalização de políticas públicas, acolhimento de casos de violência e colaboração com organismos nacionais e internacionais. Essa iniciativa, coordenada pela CEDEM/DPMG em parceria com a ALMG e o Ministério das Mulheres, reforça o compromisso das instituições em promover a igualdade de gênero e fortalecer a presença feminina nos espaços de poder.
