O Cenário de Inovação em Minas Gerais
Minas Gerais, tradicionalmente reconhecida por sua cultura empreendedora, tem investido em um ambiente favorável à inovação. Essa estratégia combina recursos de crédito público, investimento em venture capital, hubs de inovação e uma série de políticas públicas voltadas para o crescimento do setor. O resultado desse esforço já é visível na ascensão de startups locais que atraem a atenção de grandes empresas globais e até mesmo se transformam em unicórnios – aquelas empresas que alcançam a valorização de mais de R$ 1 bilhão.
Um marco significativo nesse contexto foi a aquisição da Akwan, uma startup criada por professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2005, pela gigante Google, em uma transação de US$ 8 milhões. Este episódio não apenas destacou o potencial das startups mineiras, mas também serviu como um exemplo inspirador para futuros empreendedores e investidores na região. “A Akwan foi a primeira a abrir os olhos de muitos sobre o que era possível no setor de tecnologia”, comenta João Pedro Rezende, CEO da Hotmart, uma plataforma que permite a criadores desenvolverem seus próprios negócios digitais.
A Evolução das Startups
A Hotmart, surgida em 2011 em meio ao ceticismo em relação ao conteúdo digital, experimentou um crescimento exponencial durante a pandemia. Recentemente, a empresa garantiu um aporte de R$ 750 milhões em uma rodada de série C liderada pela americana TCV, atingindo status de unicórnio. Entre 2011 e 2023, a plataforma movimentou cerca de US$ 10 bilhões, retendo cerca de 10% em comissões. Atualmente, é a casa de 350 mil criadores de conteúdo e possui mais de 600 mil produtos ativos em sua plataforma, com vendas espalhadas por 108 países.
O último levantamento da ABStartups revela que Minas Gerais se consolidou como o segundo maior polo de startups do Brasil, com cerca de 280 empresas, atrás apenas de São Paulo, que lidera com aproximadamente 1.600. As áreas com maior concentração de startups incluem desenvolvimento de software, fintechs, saúde, agronegócio, educação e inteligência artificial.
Casos de Sucesso em Minas
A Aleve LegalTech Ventures, localizada em Belo Horizonte e focada no desenvolvimento de tecnologia jurídica, é um exemplo do que é possível nesse ambiente. Priscila de Oliveira Spadinger, CEO da Aleve, afirma: “O advogado que não utilizar tecnologia ficará em desvantagem em relação aos que a adotam. Criar startups jurídicas se tornou um imperativo.” Com um investimento inicial de R$ 3 milhões e um portfólio que já conta com 11 startups ativas, a Aleve alcançou uma valorização estimada em R$ 180 milhões.
A Dynadok, uma das startups investidas pela Aleve, foi criada para automatizar a validação de documentos com o uso de múltiplos agentes de inteligência artificial. O empreendedor Willian Valadão, que já havia vendido negócios anteriores, decidiu abrir a Dynadok após uma visita ao Reino Unido, onde se inspirou na crescente demanda por soluções de IA. A startup faturou R$ 1 milhão em seu primeiro ano e projetou R$ 3 milhões para 2025.
Parcerias e Iniciativas que Fortalecem o Setor
A Raja Ventures, estabelecida em 2017, atua como um elo entre startups, governo e o terceiro setor, investindo mais de R$ 30 milhões em 150 startups. A empresa também transformou um prédio subutilizado em um hub de inovação que agora ocupa 80% de sua nova sede de 3.000 metros quadrados. Marco Ferreira, diretor da Raja, destaca a importância da colaboração entre o setor privado, público e acadêmico para gerar inovações significativas.
A Órbi Conecta ICT, fundada em 2017 por grandes empresas de Minas, opera como uma instituição sem fins lucrativos dedicada a conectar startups a recursos públicos, com uma visão voltada à revitalização urbana e inovação social. O CEO Christiano Xavier salienta que existem cerca de R$ 600 bilhões disponíveis para inovação no Brasil até 2029, e muitas empresas ainda não compreendem como acessar esses recursos.
Financiamento e Oportunidades para Startups
O Novo SEED, um programa estadual de aceleração, está em processo de distribuição de R$ 15 milhões para fomentar a criação de programas regionais de inovação. Entre 2021 e 2024, a iniciativa já impactou 169 startups com um investimento total de R$ 11,4 milhões. Lucas Mendes, subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, enfatiza que o objetivo é fortalecer os ecossistemas locais, promovendo riqueza em todo o estado.
O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) também desempenha um papel importante ao destinar R$ 488 milhões para a linha Pró-Inovação nos últimos cinco anos. O gerente Jorge Leonardo afirma que essa linha é especialmente útil para startups de base tecnológica que não têm histórico financeiro robusto. O BDMG analisa o plano de negócio e o potencial de inovação como critérios principais para o financiamento.
