Bibliotecas históricas de Belo Horizonte: um patrimônio arquitetônico e cultural
No dia 1º de julho, celebramos o Dia Mundial das Bibliotecas, uma data que homenageia espaços essenciais para o armazenamento do conhecimento e da cultura ao longo da história. Em Belo Horizonte, essas instituições públicas existem desde o período anterior à fundação da cidade, ocupando prédios que se tornaram verdadeiros símbolos arquitetônicos e culturais.
Origens no antigo arraial e a Sociedade Literária de Belo Horizonte
A trajetória das bibliotecas na capital mineira teve início no antigo arraial que antecedeu a construção da cidade. Em agosto de 1894, funcionários da Comissão Construtora da Nova Capital (CCNC) fundaram a Sociedade Literária de Belo Horizonte, que criou a primeira biblioteca da então chamada Cidade de Minas. Essa biblioteca funcionava em uma casa térrea com traços coloniais, localizada junto ao Largo da Matriz do antigo arraial do Curral del Rei, representando a arquitetura vernacular da época.
O acervo inicial contava com cerca de 850 volumes e teve como presidente honorário o engenheiro Aarão Reis, chefe da CCNC. Entre os integrantes, destacava-se o arquiteto José de Magalhães. Segundo a professora Heliana Angotti-Salgueiro, os membros da Comissão tinham acesso a publicações recentes de diversos países, além de serem leitores atentos de importantes nomes do planejamento urbano internacional. O historiador Abílio Barreto, morador da cidade, registrou que a biblioteca da Sociedade Literária seguiu em funcionamento mesmo após a inauguração oficial de Belo Horizonte, em 1897.
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Primeira biblioteca pública em prédio emblemático
Vinte anos após o surgimento da primeira biblioteca, Belo Horizonte ganhou sua primeira biblioteca pública em 1914, instalada em um dos cartões-postais da capital. O edifício do Conselho Deliberativo, hoje Museu da Moda, projetado pelo arquiteto Francisco Izidro Monteiro, exibe estilo eclético com inspiração neogótica. Inaugurado em setembro daquele ano, o prédio abrigou a biblioteca pública no primeiro pavimento, que permanece em funcionamento até hoje, sendo parte importante do patrimônio cultural da cidade.
A Biblioteca Pública Estadual e a arquitetura modernista de Niemeyer
Durante o governo de Juscelino Kubitschek em Minas Gerais, outro marco arquitetônico para os livros foi planejado. A Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, situada na Praça da Liberdade, ao lado do Palácio da Liberdade, teve seu projeto elaborado em 1954 pelo renomado Oscar Niemeyer. Apesar das dificuldades orçamentárias que atrasaram sua inauguração para 1961 e modificaram parte do projeto original, a essência do modernismo heterodoxo do arquiteto foi mantida.
O destaque fica para a volumetria curvilínea da edificação, que se integra de forma harmônica ao terreno, valorizando tanto a Rua da Bahia quanto a Praça da Liberdade. A obra ainda conta com um imponente painel do artista mineiro Amílcar de Castro na fachada voltada para a Avenida Bias Fortes, reforçando a união das artes na composição arquitetônica.
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Essas três bibliotecas não apenas preservam o conhecimento, mas também representam a evolução arquitetônica e cultural de Belo Horizonte, sendo referências essenciais para a memória da capital mineira.
