Encontro sobre Saúde e Clima no Brasil
Nesta terça-feira (31), o Brasil reafirmou seu papel de destaque na interseção entre saúde e clima ao sediar o Segundo Diálogo Diplomático sobre Saúde e Clima, realizado no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O evento contou com a participação de aproximadamente 150 pessoas, incluindo representantes do governo federal, embaixadores, missões diplomáticas, organismos internacionais e especialistas. O foco central do diálogo foi a preparação para a COP31 e a implementação do Plano de Ação em Saúde de Belém.
No encontro, a secretária de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, enfatizou que a interação entre saúde e clima deixou de ser uma agenda secundária, tornando-se um pilar das políticas públicas. “Estamos diante de uma agenda que une saúde e clima de forma definitiva. O Plano de Ação de Belém é um marco que reúne soluções justas, adaptáveis e sensíveis às realidades locais, visando fortalecer a resiliência dos sistemas de saúde”, afirmou.
Desafios e Iniciativas para o Futuro
Durante sua fala, Mariângela também mencionou o comprometimento do governo brasileiro com iniciativas como o AdaptaSUS, que busca adaptar os sistemas de saúde às mudanças climáticas. No entanto, ela alertou para o principal desafio que é transformar os compromissos assumidos em ações efetivas que alcancem as populações mais vulneráveis.
Em linha com esse pensamento, Marise Ribeiro, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério da Saúde, destacou os resultados obtidos na COP30, incluindo a consolidação do Plano de Ação de Belém, a definição de indicadores globais de adaptação e a formação de uma coalizão internacional de financistas para saúde e clima, com um aporte inicial de US$ 300 milhões. “Saímos da COP30 com bases concretas. O desafio agora é acelerar a transição das declarações para a ação, com foco em sistemas de saúde mais resilientes”, comentou.
Justiça Climática e Saúde
A embaixadora Cláudia de Ângelo Barbosa, representante do Ministério das Relações Exteriores, reforçou que a crise climática impacta diretamente os sistemas de saúde. “A adaptação do setor saúde às mudanças climáticas não é apenas uma questão técnica; é uma questão de justiça. O Plano de Ação de Belém reconhece desigualdades e propõe soluções que levam em conta diferentes realidades nacionais”, declarou.
André Corrêa do Lago, presidente da COP30, também abordou os “mapas do caminho” que o Brasil desenvolveu para guiar ações climáticas com efeitos diretos na saúde, como a transição energética, combate ao desmatamento e o financiamento climático. “Precisamos transformar esses compromissos em resultados concretos”, afirmou.
Ampliando o Financiamento Climático
O encontro também abordou questões desafiadoras, como a necessidade de aumentar o financiamento climático, estimado em até US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, além de fortalecer a governança internacional e reduzir as desigualdades no acesso a tecnologias e serviços de saúde.
Com o intuito de dar continuidade aos avanços da COP30, os Ministérios da Saúde e das Relações Exteriores apresentaram o espaço de diálogo “Da COP30 à COP31: Saúde, Clima e o Plano de Ação de Belém”. Essa iniciativa visa apresentar os resultados da agenda de saúde na conferência de Belém, implementar o plano até 2026, aumentar o engajamento internacional e dialogar com missões diplomáticas sobre prioridades e estratégias para fortalecer a agenda rumo à COP31.
Avanços e Compromissos
Apesar dos desafios, o diálogo demonstrou progresso na consolidação da saúde como um eixo central nas discussões climáticas, além de reforçar iniciativas intersetoriais de adaptação. Ao concluir o evento, Mariângela Simão destacou a relevância da cooperação internacional: “Precisamos sair daqui com encaminhamentos concretos e a certeza de que saúde e clima caminham juntos na construção de um futuro mais justo e resiliente”.
O Papel da COP30
A iniciativa dá sequência às discussões iniciadas na COP30, realizada em 2025, em Belém (PA), onde a saúde foi central na agenda climática global. A conferência incluiu a promoção de serviços de saúde resilientes e contou com o Dia da Saúde, além de uma programação dedicada no Pavilhão da Saúde, organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O conjunto de ações das últimas conferências do clima, da COP26 à COP30, solidificou a compreensão de que a crise climática é uma crise de saúde.
Durante a COP30, o Brasil lançou o Plano de Ação em Saúde de Belém para a Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas (Belém Health Action Plan – BHAP). Essa iniciativa integra soluções equitativas e adaptáveis, abrangendo vigilância em saúde, inovação tecnológica e fortalecimento de políticas intersetoriais, visando aumentar a resiliência dos sistemas de saúde e proteger as populações mais vulneráveis.
No Dia da Saúde da COP30, o plano recebeu o endosse de cerca de 80 países e organizações internacionais, apoio que se traduz em compromissos políticos e financeiros concretos para sua implementação em níveis nacional e global.
