Uma trajetória marcada pela paixão pela atuação
“Dá um orgulho danado”. É assim que Carlos Francisco, um talentoso ator natural de Minas Gerais, descreve sua experiência ao participar de “O Agente Secreto”, obra do cineasta Kleber Mendonça Filho que recebeu quatro indicações ao Oscar. Desde Belo Horizonte, onde ele começou sua trajetória, até Los Angeles, onde acompanhará a premiação ao vivo neste domingo (15), a jornada de Carlos é marcada por décadas de dedicação ao teatro e ao cinema.
Aos 64 anos, Carlos, conhecido como Carlão, interpreta o projecionista Seu Alexandre no filme, que é concorrente nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Seleção de Elenco e Melhor Ator. “Fiquei muito feliz quando recebi o convite. […] Ter a chance de participar de um filme tão icônico como ‘O Agente Secreto’, que está trilhando um caminho em direção ao Oscar com quatro indicações, é algo realmente incrível”, comentou durante uma entrevista ao programa Rolê nas Gerais, da TV Globo.
Para o ator, o engajamento que a obra conquistou junto ao público já é uma grande conquista. Mesmo frente a orçamentos milionários de produções de Hollywood, “O Agente Secreto” se destaca como o filme mais assistido no Brasil entre os indicados ao Oscar, atraindo mais de 2,4 milhões de espectadores aos cinemas. “Outro dia, peguei uma corrida em São Paulo com um motorista de aplicativo, e ele perguntou, assim que entrei: ‘Você assistiu a ‘O Agente Secreto’?’. Ele começou a falar sobre o filme, e antes de descer, eu revelei que era ator do longa. Ele ficou surpreso. […] Esse tipo de engajamento já é um grande prêmio, uma conquista do cinema”, comemorou Carlos.
Das raízes teatrais ao reconhecimento no cinema
Natural de Belo Horizonte e criado na Comunidade Quilombola de Pinhões, em Santa Luzia, na Grande BH, Carlos Francisco sempre soube desde a infância que queria ser ator. Na adolescência, ele era um frequentador assíduo dos cinemas de rua da capital mineira. Nos anos 1990, trabalhou como vendedor de caminhões em São Paulo, mas nunca abandonou sua paixão pelo teatro. Participava de oficinas sempre que possível e, mais tarde, tornou-se um dos fundadores do Grupo Folias.
“No teatro, tive a oportunidade de experimentar várias áreas. Fui responsável pela iluminação, som, cenotecnia, e até ajudava na limpeza quando necessário. A administração da companhia e a produção de eventos também faziam parte da minha rotina”, lembrou. Carlos decidiu retornar a Minas Gerais para ficar próximo da família e, nos anos 2000, começou a se aventurar no cinema.
Sua estreia nas telonas aconteceu com o filme “O Casamento de Romeu e Julieta” (2005), de Bruno Barreto. Desde então, ele participou de outros longas, como “Marte Um” (2022), de Gabriel Martins, e “Bacurau” (2019), também de Kleber Mendonça Filho. O momento atual do cinema nacional enche Carlos de orgulho. “As pessoas estão percebendo que o cinema brasileiro é um dos melhores do mundo. Há outros filmes nacionais sendo premiados em diversos festivais, e a qualidade do nosso cinema é inegável”. Ele destaca, assim, a crescente valorização do cinema brasileiro, que, apesar de desafios, se ergue com qualidade e excelência.
