A Costura das Chapas Proporcionais na Política Mineira
Recentemente, um acordo entre as lideranças nacionais do PL e do Podemos trouxe à tona a movimentação de figuras importantes na política mineira. A negociação visava levar o paulista Thiago Milhim, que usa o sobrenome de urna “Ganem”, para o PL mineiro, enquanto o fluminense Eduardo Cunha tentava uma filiação ao Podemos em Minas, com o intuito de concorrer à Câmara dos Deputados. Milhim formalizou sua entrada no PL no dia 18 de março, contando com o apoio do presidente nacional Valdemar da Costa Neto. Por outro lado, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, recebeu sinal verde da presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, para se filiar à sigla em Minas.
No interior do PL, a notícia não foi bem recebida por todos. O deputado federal Nikolas Ferreira manifestou descontentamento em relação à nova filiação. Thiago Milhim, agraciado em 2025 com a Medalha da Inconfidência pelo governo de Romeu Zema, faz parte do grupo político que inclui Bruno Ganem, deputado federal por São Paulo, e Lucas Ganem, vereador que foi cassado em Belo Horizonte por irregularidades eleitorais. Milhim, que ocupou o cargo de secretário de Esporte Amador no Ministério do Esporte sob a gestão de André Fufuca, saiu do governo em 2023 após ser alvo de polêmicas relacionadas à liberação de verbas para estádios em áreas dominadas pelo Podemos.
No campo do Podemos, a recepção de Eduardo Cunha não foi acolhedora. A deputada federal Nely Aquino, que preside a legenda em Minas e é parte da Família Aro – liderada por Marcelo Aro (PP), secretário de Governo e pré-candidato ao Senado – rejeitou a filiação. Em uma conversa com Renata Abreu, ficou acordado que Cunha não se filiaría ao Podemos, enquanto Thiago Ganem seria transferido do PL para concorrer por essa legenda na Câmara dos Deputados.
O desenrolar dessa negociação foi frustrante para Eduardo Cunha. Valdemar da Costa Neto fez uma nova tentativa de apoio sem se expor diretamente, mas não obteve êxito. Com a filiação vetada no PL e sem sucesso em outras siglas menores, Cunha permanece atualmente vinculado ao Republicanos de São Paulo, partido pelo qual concorreu sem obter êxito na última eleição.
Agora, com a filiação consolidada no Podemos, Thiago Ganem pretende se apoiar na “causa animal” e nas estratégias de engajamento digital para atrair eleitores. Essa abordagem pode colocar em risco a reeleição de Nely Aquino, especialmente à luz dos resultados da eleição à Câmara Municipal de Belo Horizonte em 2024, quando Lucas Ganem, emergente da sigla, conquistou uma vaga, deixando o vereador Rubão (Podemos) em situação de suplente. Essa situação ilustra o jogo de alianças e desavenças que caracteriza a formação das chapas proporcionais, em um cenário de janela partidária que se fecha em 3 de abril.
Essa opacidade no processo de formação das chapas proporcionais pode gerar uma sensação de desconexão entre a política e as realidades cotidianas dos eleitores. Eles têm o poder de escolher representantes que irão lidar com seus problemas diários, mas frequentemente se veem envolvidos em um jogo de acordos de cúpula que distorcem suas expectativas e esperanças.
O atual cenário também traz à tona a comparação com a famosa afirmação de Otto von Bismarck: “Os cidadãos não poderiam dormir tranquilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis.” Essa metáfora ressoaria profundamente entre os brasileiros caso soubessem os bastidores da costura das chapas proporcionais.
PSB ou MDB?
Por outro lado, o senador Rodrigo Pacheco (PSD) tem confidenciado a aliados sua intenção de ser candidato ao governo de Minas, anunciando que fará isso “no momento certo”. No momento, Pacheco está avaliando a possibilidade de se filiar ao PSB, que atualmente lhe oferece condições favoráveis, ou ao MDB, que já lançou Gabriel Azevedo como seu candidato ao governo. A filiação ao MDB por Pacheco poderia fortalecer a ala emedebista que apoia a reeleição do presidente Lula (PT), especialmente no Norte e Nordeste.
Massas e Alianças
Enquanto isso, as articulações políticas continuam. O senador Carlos Viana (Podemos) e o governador Mateus Simões (PSD) jantaram em Brasília, em um conhecido restaurante italiano, onde também estavam os deputados Luiz Fernando (PSD) e Paulo Abi-Ackel (PSDB), em encontro casual que mostra o constante entrelaçamento de relações na política.
Novas Lideranças na Assembleia
A deputada estadual Carol Caram (Avante) foi nomeada nova vice-líder do governo Mateus Simões (PSD) na Assembleia Legislativa, substituindo Lud Falcão (Podemos), que deixou o cargo após alegações de ameaça por parte de Simões em um desentendimento com um prefeito local.
Greve nas Universidades
Por fim, professores da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) anunciaram a campanha salarial em curso, que pode culminar em greve, caso o estado continue a rejeitar o cumprimento de acordos firmados pelo Judiciário desde 2018.
Entre as reivindicações estão a reposição das perdas salariais, que somam cerca de 82,9%, e a aprovação da autonomia universitária, além da incorporação de gratificações ao vencimento básico, conforme anunciado por Túlio César Dias Lopes, presidente da Associação dos Docentes da Uemg.
