Uma relação que atravessa décadas
Com raízes profundas em Minas Gerais, Criolo não vê sua chegada a Ouro Preto apenas como mais um compromisso profissional. Para ele, visitar a cidade histórica é, acima de tudo, um reencontro afetivo com um estado que faz parte de sua jornada há muitas décadas. Desde os primeiros anos de sua carreira, o rapper encontrou em Minas Gerais um público receptivo, antes mesmo de alcançar o estrelato nacional.
“Eu vejo com muita alegria. Sempre fui muito bem recebido desde os primeiros eventos de rap extremamente underground nos anos 95, 97, 99, 2000, 2005, 2008, 2011… De tantas e tantas vezes de ser acolhido por uma cena underground que sempre aconteceu antes mesmo do Nó na Orelha”, recorda o artista.
Minas Gerais: cultura viva e renovada
O álbum “Nó na Orelha”, lançado em 2011, foi um divisor de águas na carreira de Criolo, projetando-o como um dos grandes nomes da música brasileira contemporânea. Em 2021, ele lançou a versão instrumental desse disco aclamado pela crítica. Contudo, sua conexão com Minas vai muito além do sucesso consolidado.
Para Criolo, o estado é sentido antes mesmo de ser visto. Minas chega pelo acolhimento, pela gastronomia, pela música e pelo calor humano. Ele reconhece que, apesar da forte tradição cultural, Minas Gerais está em constante transformação, especialmente pelas mãos de uma nova geração de artistas e pensadores.
“São jovens pensantes, é uma geração pensante. São jovens que você respira, sabe? Você vê futuro, você vê que tem continuidade, são os jovens que estão transformando a música do Brasil”, destaca. “Eu sei que Minas Gerais é raiz, Minas Gerais tem uma cena para além dos cartões-postais. Tem gente fazendo o contemporâneo agora acontecer”, completa.
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Primeira vez em Ouro Preto e a expectativa no palco
Agendado para se apresentar pela primeira vez em Ouro Preto, Criolo é a principal atração da 24ª edição do Tudo é Jazz, que acontece na Praça Tiradentes. O show está marcado para esta sexta-feira (14), às 22h.
“A minha expectativa é gigante, é uma oportunidade única. É a primeira vez que eu venho a Ouro Preto. É uma cidade que tem uma força, que tem a história materializada. Então, para mim, é muito importante estar aqui”, afirma, destacando o peso cultural do local.
Além da expectativa, o artista sente a responsabilidade de se apresentar em um ambiente tão rico em arte. “A responsabilidade é muito grande justamente por isso, por ser um lugar acolhedor, um lugar de muita arte, um lugar que pulsa muita música, muita literatura, muita dramaturgia. Um lugar onde você olha e tem arte, tem coisa acontecendo”, observa.
Gratidão pela cultura e gastronomia mineira
Criolo também ressalta a sensibilidade de fazer parte dessa celebração cultural em Minas Gerais, um território que ele reconhece como pluricultural e autossuficiente artisticamente. “É de uma sensibilidade enxergar que eu possa acrescentar em algo e, sobretudo, no território de Minas Gerais, que já é tão plural culturalmente, que não precisa de nada de fora”, comenta, agradecendo pelo convite.
Quando o assunto é gastronomia, o rapper se derrete. Para ele, a comida mineira tem um significado especial e vai muito além do simples ato de se alimentar.
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“Toda comida que me serviram sempre foi brutalmente inesquecível. Aqui não tem coisa simples, aqui o arroz com feijão é o melhor do mundo”, brinca. “Eu acho que é feito com amor. Não existe nada simples, né? O simples de vocês já é feito com tanto carinho, já é tão especial. É tudo feito com muito amor e é uma arte à parte a culinária de vocês. Eu sou muito grato quando eu tenho a oportunidade de estar aqui”, completa.
Carreira marcada por inovação e engajamento social
Com uma trajetória iniciada em 1989, Criolo, nome artístico de Kleber Gomes, nasceu em São Paulo e cresceu no Grajaú. Com apenas 11 anos, escreveu seu primeiro rap, estabelecendo-se como um dos artistas mais inovadores da música brasileira ao unir hip-hop e World Music.
Além de sua contribuição artística, Criolo é reconhecido por seu engajamento social, colecionando seis indicações ao Grammy Latino e participações em eventos ligados à educação e causas sociais. Seu trabalho com o Planet Hemp na faixa “Distopia” lhe rendeu um gramofone, reforçando sua influência e relevância.
“A música para mim, antes de tudo, antes de qualquer coisa, mostrou que eu existia e que eu era capaz de me comunicar com as pessoas”, afirma. “Isso é revolucionário. Nós vivemos num território de um povo muito lindo. O povo mineiro é maravilhoso. O povo baiano é maravilhoso, o povo cearense, eu posso falar estado por estado. Posso falar que todos, de de fora a fora que o Brasil é incrível, com um povo incrível. Mas nós estamos sofrendo muito”, reflete o artista.
