Um novo capítulo para a cultura em Minas Gerais
No dia 25 de outubro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou a reinauguração do Grande Galpão da Casa do Conde de Santa Marinha, em Belo Horizonte. O evento, que contou com a presença de diversas autoridades e representantes da cultura, marca a conclusão de obras de conservação financiadas pelo Novo PAC. Durante a cerimônia, também foi apresentado o projeto ‘Memórias da Capoeira em Minas Gerais: a Voz dos Mestres e das Mestras’, uma iniciativa com foco na preservação e divulgação desse importante patrimônio cultural brasileiro.
A solenidade reuniu figuras do poder público, instituições culturais e acadêmicas, além de mestres da capoeira de várias partes do estado. Entre os presentes estavam Daniel Sombra, diretor do Departamento de Ações Estratégicas e Intersetoriais (DAEI) do Iphan, que representou o presidente Leandro Grass; Maria do Carmo Lara Perpétuo, superintendente do Iphan em Minas Gerais; e Fernando Mencarelli, pró-reitor de Cultura da UFMG. A cerimônia também foi marcada pela presença de Cida Falabella, secretária de Cultura da Prefeitura de Belo Horizonte, e outros representantes de instituições culturais.
Um espaço revitalizado para as artes
A reabertura do Grande Galpão simboliza a devolução de um importante equipamento cultural à cidade. O espaço, que faz parte do conjunto arquitetônico da Praça da Estação e abriga a Superintendência do Iphan em Minas Gerais, recebeu um investimento superior a R$ 700 mil em melhorias. As reformas incluiram intervenções na cobertura, pintura, forro e outras melhorias estruturais, tornando o local apto para eventos culturais, educacionais e de preservação. Durante sua fala, Daniel Sombra destacou que essa reinauguração é apenas a primeira etapa de uma série de ações que visam a recuperação total da Casa do Conde. Ele afirmou: ‘A Casa do Conde também vai passar por um restauro, num processo que pretende fortalecer o eixo cultural que vai do Iphan até a Praça da Estação’.
A superintendente Maria do Carmo Lara Perpétuo ressaltou a importância simbólica da reinauguração e o papel do espaço na promoção da cultura. Ela afirmou que o galpão ‘volta a cumprir sua função pública após um período de inatividade’, enfatizando que sua utilização pode ser aproveitada, principalmente, para expressões culturais e patrimônio imaterial. Para ela, trata-se de um espaço vital para encontros e articulações que reforçam a cultura em Minas Gerais, contribuindo para a construção da cidadania e da identidade cultural.
Capoeira em destaque: uma voz para mestres e mestras
Durante o evento, também foi lançado o projeto ‘Memórias da Capoeira em Minas Gerais’, resultado de uma parceria entre a UFMG e o Coletivo de Salvaguarda da Capoeira no estado. Essa iniciativa gerou 25 registros audiovisuais que documentam as histórias de mestres e mestras da capoeira, utilizando metodologias de história oral e abordagens etnográficas. O objetivo é valorizar as trajetórias desses artistas, ampliando a visibilidade da capoeira, uma prática em crescimento em mais de 400 municípios de Minas Gerais.
A mestra Codorna, Semíramis Maloni Marques Ribeiro, que representou os mestres e mestras, destacou a relevância do projeto, especialmente no que diz respeito à visibilidade das mulheres na capoeira. ‘Esse projeto foi de extrema importância, principalmente para as vozes das mulheres na capoeira’, afirmou, enfatizando a necessidade de registrar e compartilhar novas histórias. O mestre Edson Moreira da Silva (Mestre Primo) também se pronunciou, ressaltando a importância da organização coletiva e das políticas públicas para a valorização da capoeira, mencionando iniciativas como inventários e fóruns de discussão, que são fundamentais para o reconhecimento da prática no estado.
A Casa do Patrimônio: um espaço revitalizado para a cultura
O Complexo da Casa do Conde de Santa Marinha, que data do final do século 19 e início do século 20, foi erguido pelo industrial português Antônio Teixeira Rodrigues e faz parte do Conjunto Arquitetônico da Praça da Estação. Desde 2005, abriga a Superintendência do Iphan em Minas Gerais. Com a reinauguração do Grande Galpão, o espaço se torna um polo cultural, promovendo a difusão do patrimônio e coordenando ações para a preservação de bens materiais e culturais.
As recentes intervenções tornaram o Grande Galpão um espaço multiuso, com auditório, áreas para exposições e um laboratório de conservação e restauração. Além disso, a Casa do Conde também receberá obras de conservação e restauração, cujos projetos estão em fase de desenvolvimento, ampliando as possibilidades de uso do conjunto como um espaço de referência para atividades culturais, educativas e institucionais.
