Mulheres na Política: Um Debate Necessário
Na manhã desta segunda-feira, 2 de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) promoveu a quarta edição do projeto Mulheres na Política, organizado pela Comissão de Participação Feminina (COFEM) e pela Escola Judiciária Eleitoral de Sergipe (EJESE). O principal objetivo da iniciativa é estimular a participação efetiva das mulheres no cenário político local.
Desde sua criação em 2020, o evento tem incentivado o engajamento feminino na política sergipana, proporcionando um espaço para discussões e reflexões sobre a importância da presença feminina nas eleições e em cargos de decisão.
A mesa de abertura contou com a presença de diversas autoridades, incluindo a presidente do TRE-SE, desembargadora Ana Lúcia Freire de Almeida dos Anjos; a vice-presidente e corregedora regional eleitoral, desembargadora Ana Bernadete Leite de Carvalho Andrade; e a deputada estadual Linda Brasil, que representou o presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe (ALESE). Também marcaram presença representantes do Governo do Estado, do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe (OAB/SE), além de juízes membros da Corte Eleitoral e da própria diretora da EJESE, Brígida Declerc Fink.
A Importância da Presença Feminina
A diretora Brígida Declerc Fink iniciou o evento enfatizando a relevância do projeto e a necessidade de uma maior representatividade feminina nos espaços de poder. “Promover iniciativas que fortaleçam a participação feminina na política é uma grande honra para mim. Não existe uma democracia verdadeira sem a presença de mulheres em postos de decisão”, afirmou a magistrada, ao abrir a discussão.
O evento foi mediado pela servidora Jamille Secundo Melo, que ressaltou a importância de criar um espaço de diálogo e reflexão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na vida pública. “Estou satisfeita em participar desta troca de experiências, onde a presença feminina é reafirmada e discutida com seriedade”, disse Melo.
Painéis Temáticos e Desafios
O primeiro painel foi conduzido pela juíza do Tribunal de Justiça da Bahia, Andremara dos Santos, que discorreu sobre “Ações afirmativas da legislação para estímulo da participação feminina nas eleições”. Ela explicou que as ações afirmativas são mecanismos legais que visam reduzir desigualdades de gênero, raça e etnia, fundamentais para ampliar a participação política das mulheres. “Esses instrumentos são essenciais para garantir condições equitativas de disputa nas eleições”, pontuou.
Na sequência, a advogada Marilda de Paula Silveira, doutora pela UFMG e vice-presidente do Instituto Brasiliense de Direito Eleitoral, trouxe à tona o tema “Candidatura fictícia e suas consequências”. Ela alertou sobre a importância de que as candidaturas sejam reais e concretas: “Uma candidatura deve gerar evidências reais na campanha, através de ações efetivas de engajamento e solicitação de votos. O desafio é garantir que as mulheres sejam realmente eleitas”, destacou.
Fechando a programação, a juíza-ouvidora do Supremo Tribunal Federal, Flávia da Costa Viana, apresentou o painel “Violência política de gênero”, discutindo os obstáculos enfrentados pelas mulheres em suas trajetórias políticas e os mecanismos legais de proteção. “As mulheres não estão aqui de passagem; precisamos assegurar que tenham respeito e segurança para ocupar espaços de decisão”, enfatizou Viana.
Combate à Desinformação e Protagonismo Cultural
Durante o evento, a assessora da EJESE, Lídia Matos, apresentou a personagem Tia Vera, que simboliza a campanha contra a desinformação e fomenta a busca por informações confiáveis. “A personagem é um lembrete de que a informação verídica é essencial para uma participação cidadã consciente”, afirmou Matos.
Ao final do evento, os participantes puderam visitar a exposição Olhares Femininos Sergipanos, promovida pelo Centro de Memória da Justiça Eleitoral de Sergipe (CEMEL), que celebra a arte e o protagonismo feminino. Com obras das artistas Márcia Guimarães e Luíza Felix, a mostra valoriza a produção cultural sergipana e permanece aberta ao público até 6 de março, das 8h às 13h.
Para Carmen Luiza Nascimento, gestora do CEMEL, a exposição vai além do visual, promovendo ações que destacam o compromisso da Justiça Eleitoral com a valorização das mulheres. “Este evento é uma oportunidade de reforçar a importância do olhar feminino na arte e na cultura”, concluiu.
