Senador Enfrenta Resistências no MDB
O MDB de Minas Gerais demonstra resistência em filiar o senador Rodrigo Pacheco (PSD) para concorrer ao governo do estado nas eleições de outubro. Pacheco, que foi presidente do Senado até 2022, é o nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Recentemente, seu partido atual, o PSD, já oficializou a filiação do vice-governador Mateus Simões, que também é um forte candidato à sucessão de Romeu Zema (Novo).
Na noite da última quarta-feira, o deputado federal Newton Cardoso Jr., que preside o MDB estadual, recebeu uma ligação de Gleide Andrade, tesoureira nacional do PT e mineira, indagando sobre a filiação de Pacheco, que ela considerava quase certa. Cardoso, visivelmente constrangido, respondeu que gostaria de saber a mesma informação, pois ainda não havia um acordo estabelecido com o senador.
Após essa situação desconfortável, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, fez uma chamada para Cardoso, expressando interesse em discutir a possível filiação de Pacheco, uma vez que a expectativa do partido é que o MDB se una ao palanque de Lula, especialmente em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do Brasil.
É importante ressaltar que o MDB já havia lançado, em novembro passado, o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, como pré-candidato ao governo. Essa movimentação, porém, não desestimulou a busca do PT por uma aliança mais ampla.
Recentemente, Azevedo compartilhou uma mensagem de WhatsApp que recebeu de Pacheco, na qual o senador negava ter falado sobre uma possível candidatura ao governo de Minas pelo MDB. Na mensagem, Pacheco enfatizava que havia comunicado ao presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP), e a Cardoso Jr. que não havia tomado nenhuma decisão nesse sentido.
“Amigo, nenhuma declaração dei sobre candidatura, tampouco sobre o MDB”, escreveu Pacheco, deixando claro que ainda não havia se comprometido com a legenda em questão. Após essa troca de mensagens, Azevedo ligou para Pacheco, e a conversa durou cerca de sete minutos, conforme o relato do ex-vereador. Durante a ligação, o senador pediu que Azevedo tornasse pública sua posição.
Construindo Alianças
Além dos trâmites no MDB, Pacheco tem avançado em sua articulação política ao se encontrar com o deputado Aécio Neves (PSDB-MG). O encontro, confirmado inicialmente pelo portal Metrópoles, abordou a posição do PSDB em Minas e a possibilidade de apoio a Pacheco em suas intenções eleitorais.
Informações colhidas por interlocutores próximos aos parlamentares indicam que o PSDB deverá apoiar Pacheco, independentemente de qual for o desenho final da disputa: seja ele candidato ao governo ou participando de uma aliança política mais ampla. Entretanto, tanto Aécio quanto Pacheco não se pronunciaram oficialmente sobre o encontro.
Ainda que haja indícios de que Aécio poderia se candidatar ao governo de Minas ou ao Senado, ele tem comentado em conversas reservadas que sua intenção seria buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados. Como presidente nacional do PSDB, Aécio busca manter seu protagonismo na definição da estratégia da legenda em Minas, o que pode influenciar a configuração das alianças para as próximas eleições.
