Protestos do Samu em Belo Horizonte
Profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Belo Horizonte se mobilizaram nesta quarta-feira contra os cortes anunciados pelo município na área da saúde. Os manifestantes, que se reuniram em frente à Prefeitura, levantaram faixas e utilizaram um carro de som para alertar a população sobre os potenciais impactos dessas mudanças. A medida pode resultar na redução das equipes que prestam atendimento de urgência, um serviço essencial para a saúde pública da capital mineira.
A partir de maio, pelo menos 34 trabalhadores do Samu terão seus contratos encerrados. Além desses, 21 profissionais estão em licença, totalizando uma diminuição de 55 pessoas nas equipes, o que representa cerca de 8% do efetivo total. Segundo a categoria, a preocupação se concentra na alteração da composição das equipes nas ambulâncias que prestam atendimento em casos menos complexos, onde a eficiência é fundamental.
A Prefeitura de Belo Horizonte confirmou que decidirá pela não renovação dos contratos, mas não se posicionou sobre a possível piora na qualidade do serviço prestado à população. Essa omissão gerou ainda mais inquietação entre os profissionais e a comunidade.
Érika Santos, enfermeira e membro da categoria, expressou sua preocupação: “O Samu de Belo Horizonte atualmente conta com 21 unidades básicas de saúde, cada uma com dois técnicos de enfermagem para atender aproximadamente 2,5 milhões de habitantes. Hoje, essa quantidade já é insuficiente. Como é possível acreditar que um único técnico de enfermagem pode oferecer assistência adequada?”
A manifestação também incluiu críticas de Rodrigo Pereira, membro do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais. Ele destacou as implicações da situação: “Com a redução, o que ocorrerá em Belo Horizonte é que uma ambulância chegará com apenas um técnico, que terá que solicitar outra unidade para o atendimento, colocando a população em uma situação vulnerável”.
Atualmente, o Samu conta com aproximadamente 710 funcionários. O município garante que a reorganização das escalas permitirá manter o mesmo número de ambulâncias em operação, mas a implementação do modelo que prevê uma ambulância com um técnico de enfermagem e um motorista já é uma realidade em outras cidades e será adotada também em Belo Horizonte a partir do próximo mês. A Secretaria Municipal de Saúde anunciou que 13 unidades de suporte básico irão operar com apenas um técnico, enquanto outras nove ambulâncias manterão dois profissionais por plantão. A Prefeitura, no entanto, não se manifestou sobre a possível sobrecarga dos funcionários e as consequências que isso pode acarretar para a qualidade do serviço.
A situação levantou preocupações significativas entre os profissionais da saúde e a população, que agora se pergunta se a capacidade do Samu será suficiente para atender a demanda em um cenário de cortes.
