Continuidade e Desmonte do Estado
Após a renúncia de Romeu Zema (Novo) para concorrer à presidência, Matheus Simões (PSD) assumiu o governo de Minas Gerais em 22 de março. Para especialistas da política local, Simões é visto como um representante da continuidade de um projeto que visa a diminuição do papel do Estado e o avanço de medidas autoritárias. Sua trajetória política, que inclui o cargo de vice-governador de Zema e a secretaria-geral durante o primeiro mandato do ex-governador, destaca sua influência na implementação de reformas marcantes, como a Reforma Administrativa e a privatização de empresas públicas.
Rogério Correia, deputado federal pelo PT-MG, caracteriza Simões como uma continuidade de um governo que promove uma visão de ‘não Estado’, priorizando a privatização e estabelecendo relações autoritárias com movimentos sociais. Em sua opinião, as ações de Simões servem para intensificar um projeto que favorece apenas os detentores de riquezas.
O Papel de Simões nas Privatizações
Correia destaca a significativa participação de Simões na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde foi crucial para aprovar a emenda à Constituição que permitiu a desestatização de empresas essenciais, como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O atual governador, então vice, também apresentou ao legislativo o projeto que facilitou a privatização da Copasa, resultados que foram aprovados sob forte pressão.
Recentemente, o governo de Minas promoveu o leilão da gestão de 95 escolas públicas por 25 anos, uma ação que gerou críticas acirradas de trabalhadores da educação e de comunidades. Denise Romano, coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE/MG), expressou preocupação com a qualidade da educação sob a gestão de um fundo privado.
Críticas ao Governo e ao Funcionalismo Público
Além das privatizações, Simões enfrenta resistência em relação aos baixos salários dos servidores públicos. Educadores, profissionais de saúde e segurança pública reclamam de defasagens salariais alarmantes, com algumas categorias registrando perdas de até 50%. As críticas se intensificaram após a proposta de apenas 5,4% de reajuste, uma medida considerada insatisfatória e que foi aprovada pela ALMG.
A deputada Beatriz Cerqueira (PT) questionou a estratégia de marketing do governo, que tenta se posicionar como defensor da segurança pública, enquanto as condições de trabalho dos profissionais do setor permanecem precárias. Denise Romano complementa que a administração Zema/Simões tem se mostrado incapaz de criar um legado positivo, marcando sua gestão pela destruição de serviços e desqualificação do funcionalismo.
Um Histórico de Polêmicas
Matheus Simões não é estranho às controvérsias. Antes de ser vice-governador, seu passado como vereador por Belo Horizonte incluiu a defesa do polêmico projeto Escola Sem Partido, que gerou intensos debates sobre a interferência na educação. Em 2019, uma discussão acalorada resultou em um pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar após um incidente com um colega.
Outro episódio controverso ocorreu em janeiro deste ano, quando a deputada Lud Falcão (Podemos) acusou Simões de ameaçá-la, revelando um histórico de embates com instituições como o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) sobre a instalação de escolas cívico-militares, que foi considerada irregular.
Desafios Futuros e Expectativas Eleitorais
Para Correia, o governo Simões já deixa um legado de retrocessos, levantando dúvidas sobre sua reeleição nas eleições de outubro. Ele acredita que a população busca um governo que retome políticas públicas essenciais, que priorize educação, saúde e direitos fundamentais. José Luiz Quadros, da UFMG, endossa essa visão, afirmando que um governo que não assegura direitos constitucionais não deve contar com o apoio popular.
