Justiça e Consequências do Crime
Diego Caldeira Hastenreter, réu pelo assassinato do advogado criminalista Pedro Cassimiro Queiroz Mendonça, foi sentenciado a 31 anos de prisão, em regime inicialmente fechado. O crime ocorreu no dia 27 de maio de 2024, em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e a decisão foi proferida após um longo julgamento que se encerrou na noite desta terça-feira (15/4).
A sessão, que teve início às 8h30 na 1ª Vara Criminal, da Infância e da Juventude e de Cartas Precatórias Criminais, foi marcada por intensos debates entre a acusação e a defesa. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que, durante o dia, foram ouvidas as testemunhas e apresentadas as evidências que culminaram na condenação do réu, com a decisão final anunciada por volta das 23h.
Relembrando os Fatos
O assassinato de Pedro Cassimiro Queiroz Mendonça ocorreu próximo ao fórum de Ibirité, onde o advogado foi alvejado com cerca de 30 tiros. Segundo o boletim de ocorrência, uma testemunha presenciou a ação e conseguiu anotar a placa do veículo utilizado na fuga. Contudo, a Polícia Militar de Minas Gerais descobriu que o carro era clonado. Dois dias após o crime, o veículo foi encontrado incendiado na BR-262, em Betim.
Diego Hastenreter, que era cliente de longa data de Mendonça, foi preso preventivamente no dia 20 de julho de 2024, em uma propriedade rural em Papagaios, no Centro-Oeste de Minas. Na hora da prisão, estava acompanhado da esposa e das filhas. Durante a abordagem, a Polícia Civil de Minas Gerais apreendeu celulares, roupas semelhantes às usadas no dia do homicídio, além de um documento de identidade falso que apresentava a foto do suspeito, mas com outro nome. Nenhuma arma foi localizada.
Motivações e Contexto do Crime
As investigações indicam que o crime pode ter sido motivado por desentendimentos financeiros relacionados ao pagamento de honorários e outros conflitos na relação profissional entre Hastenreter e Mendonça. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), os dois mantiveram uma conversa telefônica cerca de uma hora antes do assassinato. “Tudo indica que eles marcaram um encontro para resolver pendências, mas o advogado acabou sendo surpreendido antes de chegar ao local combinado”, afirmou o delegado Wellington Faria, da Delegacia de Homicídios de Ibirité.
Além disso, a PCMG destacou que Diego Hastenreter era considerado foragido desde 2020 e possuía uma extensa ficha criminal, com indiciamentos por quatro homicídios qualificados, uma tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de uso restrito. Curiosamente, tanto os pais de Hastenreter quanto ele próprio haviam sido defendidos por Mendonça em processos anteriores, o que adiciona uma camada de complexidade à trama.
Embora o crime tenha gerado grande comoção na comunidade local, a condenação de Hastenreter pode ser vista como um passo importante em busca de justiça para a família de Pedro Cassimiro, que deve continuar a lidar com as consequências desta tragédia. A segurança dos advogados e a proteção de suas relações profissionais também são temas que emergem a partir deste caso, que ressalta os riscos enfrentados por profissionais da área jurídica, especialmente em casos que envolvem clientes com histórico criminal.
