Rejeição à Indicação do Advogado-Geral da União
Belo Horizonte – O advogado-geral da União, Jorge Messias, se prepara para a sua sabatina na próxima quarta-feira (29/4), com a expectativa de ser aprovado como novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, a sua trajetória até aqui foi cercada de articulações políticas, que agora podem ser testadas num ambiente pré-eleitoral. Nesse cenário, Messias enfrentará severas críticas e questionamentos da oposição ao governo Lula (PT), que enxerga nessa sabatina uma significativa vitrine Política.
Na bancada de Minas Gerais, dois dos três senadores já manifestaram sua intenção de votar contra a indicação de Messias. Cleitinho (Republicanos) e Carlos Viana (PSD) são os senadores que declararam abertamente sua oposição, enquanto Rodrigo Pacheco (PSB), que não se posicionou, é visto como um provável apoio ao governo.
Oposição e Articulações no Senado
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Pacheco, que buscava a indicação ao STF, acabou sendo preterido por Lula, que o escolheu para concorrer ao governo de Minas, uma estratégia que visa fortalecer a presença do partido na campanha deste ano. Apesar de não demonstrar ressentimentos publicamente, a articulação de Pacheco nos bastidores continua, embora ele ainda não tenha assumido de forma oficial sua pré-candidatura.
Os motivos que levam Viana e Cleitinho a se opor à indicação de Messias são variados e refletem suas estratégias políticas. Viana, que ganhou notoriedade ao presidir a CPI do INSS, já antecipou seu voto contrário, citando a indicação de Messias como uma continuação dos conflitos que teve com o governo e com o STF. Ele compara a escolha de Messias à de Flávio Dino, ressaltando que ambos tomam decisões alinhadas aos interesses do governo.
Apesar de ter migrado do Podemos para o PSD, Viana ainda enfrenta a concorrência de outros candidatos de direita, como o ex-secretário Marcelo Aro (PP) e o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG). Assim, a discussão em torno da indicação ao STF torna-se essencial para ele reafirmar seu discurso e consolidar sua imagem no cenário político.
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Os Desafios de Cleitinho e suas Críticas a Messias
Por sua vez, Cleitinho tem utilizado sua oposição a Messias como uma forma de se posicionar como um candidato de direita. O senador já manifestou apoio a algumas propostas do governo, como o fim da escala 6×1, e recebeu críticas de seus seguidores, que o acusam de estar “com o pé na esquerda”. Essa pressão levou Cleitinho a intensificar suas críticas a Jorge Messias, prometendo votar contra sua indicação.
Expectativas e Cenário no Senado
As previsões apontam que os votos de Cleitinho e Viana, embora significativos, não devem ser suficientes para barrar a indicação de Messias. Tanto a base governista quanto a oposição no Senado acreditam que conquistar 41 votos para rejeitar a indicação será uma tarefa difícil, com estimativas que indicam que a oposição deverá contar com no máximo 30 votos.
Os opositores de Messias planejam focar suas críticas em sua atuação à frente da AGU, especialmente em relação aos eventos do 8 de janeiro de 2023, sua postura sobre o aborto e o episódio que lhe rendeu o apelido de “Bessias”, quando atuou como emissário da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para entregar a Lula documentos de posse durante sua gestão.
Em resposta, Messias deverá adotar uma postura respeitosa em relação aos opositores, enfatizando seu posicionamento pessoal contra o aborto, alinhado às suas crenças cristãs, mas garantindo que suas decisões serão pautadas pela Constituição, que permite a interrupção da gravidez em casos específicos, como em situações de violência sexual ou risco à vida da gestante.
