Uma Nova Reflexão Sobre o Corpo em Movimento
O Grupo Contemporâneo de Dança Livre celebra sua trajetória de 15 anos com a estreia do espetáculo “RISCO”, que ocorrerá nos dias 15, 16 e 17 de maio, sempre às 20h, na Funarte MG. A obra investiga o limite do corpo, explorando o conceito de risco não apenas como uma ameaça, mas também como uma marca de identidade e trajetória. A apresentação do dia 17 contará com audiodescrição, garantindo acessibilidade ao público. A entrada é gratuita, mas está sujeita à lotação.
Nesse contexto, os dançarinos Duna Dias, Heloisa Rodrigues, Leonardo Augusto e Socorro Dias, junto ao músico piauiense Érico Ferry, que executa a trilha sonora ao vivo, trazem uma abordagem intensa e provocativa sobre os perigos que um corpo pode enfrentar dependendo de sua posição social e territorial. “Como podemos atravessar o que nos coloca em risco? Que danças podem emergir de nossa teimosia em viver e de nosso direito de ser?” são algumas das questões que guiam a obra.
Direção Compartilhada como Inovação Artística
Leia também: Acessibilidade e Desempenho: A Importância de Navegadores Atualizados para Acesso ao ba.gov.br
Leia também: Festa do Trabalhador em Poços de Caldas: Celebração de Cultura e Lazer com Fecomércio MG
Fonte: reportersorocaba.com.br
A direção do espetáculo é compartilhada entre Duna Dias e Oscar Capucho, um dançarino e ator com deficiência visual. Essa colaboração resulta de uma relação artística desenvolvida ao longo dos últimos anos, tendo como base projetos anteriores, como a Cia Ananda e o espetáculo “Cartas para Irene”. A participação de Oscar na direção marca sua primeira experiência nesse papel junto ao coletivo, um desejo antigo por uma integração criativa.
Duna comenta: “A relação com Oscar é marcada pela cumplicidade e pela admiração. A fluidez do processo foi contagiante, e a nossa vontade de trabalhar juntos se reflete na cena.” Para Oscar, essa parceria resultou em uma estética rica e viva, destacando a força dos bailarinos e a importância de um trabalho que se transforma a cada apresentação. “Acredito que a arte é um organismo em constante mutação”, afirma.
Desafiando as Convenções da Dança
Com a intenção de inverter a lógica tradicional da dança, Oscar propôs uma ênfase na escuta e no toque durante os ensaios. Ele introduziu elementos de dramaturgia, integrando texto e movimento, reforçando a ideia de que a fala é também uma extensão do corpo. “Precisamos explorar o risco iminente que todos enfrentamos”, explica. Duna acrescenta que essa direção se posiciona politicamente ao expandir as percepções sobre o corpo e a dança.
No início dos ensaios, o diretor sugeriu que o elenco trabalhasse sem vestimentas, um desafio destinado a libertar os dançarinos do olhar externo e criar uma conexão mais genuína com suas texturas corporais. “Quis enfatizar a sensualidade e a experiência do corpo livre de julgamentos”, relata Oscar, ressaltando a importância de valorizar a essência de cada artista.
Uma Nova Etapa de Resistência
Com um elenco composto por artistas com mais de três décadas de carreira, a estreia de “RISCO” representa um momento de renovação e fúria criativa para o grupo. A trilha sonora ao vivo, composta por Érico Ferry, complementa a proposta do espetáculo, que reflete as vivências e desafios do coletivo ao longo de sua trajetória. “Nossa dança é uma forma de afirmação de que estamos presentes e atentos”, finaliza Duna.
Sobre o Grupo Contemporâneo de Dança Livre
Fundado em 2010, o Grupo Contemporâneo de Dança Livre busca investigar a dança e seus desdobramentos, promovendo a formação de novos públicos e a criação de coletivos artísticos. Ao longo de 15 anos, o grupo já produziu mais de 17 espetáculos e 40 videodanças, participando de festivais e residências em diversos países. Seu trabalho é marcado por um compromisso com a acessibilidade e a inclusão, através de oficinas e rodas de conversa.
Informações e Acessibilidade
O espetáculo “RISCO” ocorrerá nos dias 15, 16 e 17 de maio, às 20h, na Funarte MG, localizada na Rua Januária, 68 – Centro, Belo Horizonte. A entrada é gratuita, sujeita à lotação, e haverá uma sessão com audiodescrição no dia 17. Para mais informações, siga o perfil do grupo no Instagram @gcontemporaneodedancalivre.
