Câmara Municipal de Belo Horizonte Aprova Medida Importante
A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) deu um passo significativo na luta contra a alienação parental ao aprovar, em definitivo, um projeto de lei que visa enfrentar essa prática. A alienação parental é caracterizada pela interferência na formação psicológica de crianças e adolescentes, causada por um dos pais ou responsáveis com a intenção de induzir o menor a rejeitar o outro genitor.
A proposta, elaborada com o objetivo de implementar uma política pública de combate à alienação, propõe ações voltadas à conscientização da população. Isso inclui a realização de palestras, eventos educativos e seminários para informar sobre os efeitos prejudiciais dessa prática nas relações familiares e no desenvolvimento saudável das crianças.
O projeto foi aprovado por meio de um substitutivo, apresentado pela liderança do governo na Câmara, que é representada pelo vereador Bruno Miranda (PDT). A versão original do projeto foi protocolada pelo vereador Arruda (Republicanos), que previa a participação direta da Secretaria de Educação de Belo Horizonte, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e do Conselho Tutelar. No entanto, na nova redação, a responsabilidade pela implementação das ações foi estendida a “órgãos competentes” do Poder Executivo.
Críticas e Controvérsias Envolvendo a Nova Legislação
Apesar da aprovação do projeto, a proposta não passou despercebida e gerou críticas, especialmente entre as vereadoras do PSOL e do PT. Elas argumentaram que, embora a intenção seja positiva, a legislação pode ser utilizada como um instrumento jurídico de manipulação. A preocupação é que a alienação parental, que já é uma questão complexa, possa ser mal interpretada em processos judiciais.
A lei que tipifica a alienação parental foi criada em 2010 e ainda gera controvérsias. O Conselho Federal de Psicologia, por sua vez, defende a revogação dessa legislação, alegando que falta respaldo científico e que frequentemente é utilizada para descredibilizar denúncias de abusos contra mulheres, crianças e adolescentes.
Na prática, quando a tese da alienação parental é aceita em juízo, o responsável pode enfrentar consequências severas, como multas e alterações na guarda ou no regime de visitas ao menor. Essa possibilidade gera um debate importante dentro da sociedade sobre a eficácia e a ética na aplicação dessa legislação.
Próximos Passos do Projeto de Lei
Em entrevista à Rádio Itatiaia, o autor do projeto na Câmara minimizou as críticas recebidas, ressaltando que existem leis específicas já em vigor para lidar com questões irregulares. Ele acredita que a nova legislação contribuirá para um maior entendimento e prevenção da alienação parental.
A aprovação do projeto na Câmara de BH agora encaminha a proposta para a sanção ou veto do prefeito Álvaro Damião (União Brasil). Este é um momento crucial para definir como a cidade enfrentará a problemática da alienação parental e promoverá o bem-estar das crianças e suas famílias. O acompanhamento da implementação dessa política pública será fundamental para avaliar sua eficácia e impacto na sociedade mineira.
