Memória e futuro em destaque na III Parada Negra LGBTQIAPN+ de BH
No dia 9 de agosto, a partir das 14h, o Viaduto Santa Tereza, em Belo Horizonte, será palco da 3ª Parada Negra LGBT+. Organizada pela Rede Afro LGBT Minas e o Teatro Negro e Atitude, a iniciativa reforça sua importância como espaço de articulação, representatividade e celebração da diversidade no estado. Sob o tema “Memória e Futuro: A Democracia Tecida por Muitas Vozes”, o evento promete reunir atrações culturais e movimentos sociais que elevam a visibilidade da população negra LGBTQIAPN+.
Homenagem a ícones da luta negra e LGBTQIAPN+
Ao centrar a programação na memória, a Parada presta tributo a personalidades como Madame Satã, Cintura Fina e Rhany Mercês. Essas figuras enfrentaram violências e exclusão, deixando um legado de resistência para as gerações atuais. A reflexão sobre o futuro parte desse reconhecimento, valorizando a ancestralidade como fio condutor entre passado e presente, e inspiração para construir uma sociedade mais justa, diversa e democrática.
Evandro Nunes, da coordenação da Rede Afro LGBT MG, ressalta que a Parada Negra LGBT+ surge da percepção de que as vivências dentro da comunidade LGBTQIA+ não são homogêneas. “Ser negro e LGBT+ significa muitas vezes enfrentar simultaneamente racismo, LGBTfobia, desigualdades e violência. Por isso, a Parada é um espaço de visibilidade política, celebração da ancestralidade e afirmação da vida”, explica.
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Diversidade e compromisso político na programação
Para Eliane Dias, presidenta nacional da Rede Afro LGBT, a terceira edição será marcada por uma programação ainda mais forte e plural. O evento reunirá pessoas negras LGBTQIAPN+ de Belo Horizonte, região metropolitana e interior de Minas Gerais, com foco em arte, cultura periférica e intervenções políticas. “A diversidade, a memória e o futuro estarão presentes nas expressões artísticas das corpas negras que se apresentarão durante toda a tarde e noite”, destaca ela.
Essa combinação entre festa e mobilização social fortalece a visibilidade da população negra LGBTQIAPN+, impulsiona pautas interseccionais no estado e transforma as ruas em espaços de pertencimento, resistência e defesa de direitos. A programação contará com artistas e coletivos da cultura negra e LGBTQIAPN+ locais, celebrando a criatividade e as múltiplas vozes que constroem o presente e o futuro. “Esperamos que nossas vozes ecoem nas ruas e que alcancemos maior respeito numa sociedade democrática e justa”, conclui Eliane.
Trajetória da Parada Negra LGBT+ em Belo Horizonte
A Parada Negra LGBT+ de BH nasceu de uma longa trajetória de organização política. Em 2014, a Rede Afro LGBT Minas criou o bloco “Tem Negra e Negro na Parada”, atuando na frente da Parada LGBT+ de Belo Horizonte com faixas, megafones e tambores para afirmar a presença da população negra LGBTQIAPN+.
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O movimento ganhou força e, em 2019, promoveu a “I Marcha Negra LGBT+ pelo bem viver”. Após a interrupção causada pela pandemia, as atividades presenciais foram retomadas em 2024, com a realização da I Parada Negra LGBT+, cujo tema foi “Do êrê ao ancestral: Pela vida da juventude negra”. Em 2025, a segunda edição focou na “luta pela justiça racial e climática” com o tema “Okê Arô”. Agora, a terceira edição acrescenta mais um capítulo a essa história de resistência e celebração.
Detalhes do evento e organização
A realização da III Parada Negra LGBT+ de Belo Horizonte é uma parceria entre a Rede Afro LGBT Minas e o Teatro Negro & Atitude, viabilizada pelo Termo de Fomento nº 978242/2025, resultado da Emenda Parlamentar nº 43660020, por meio da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+.
O evento acontece no Viaduto Santa Tereza, Avenida Assis Chateaubriand, 619, a partir das 14h do dia 9 de agosto, reunindo manifestações culturais, políticas e sociais que reforçam a luta e a representatividade da população negra LGBTQIAPN+ em Minas Gerais.
