Clube se prepara para o ‘Dia D’ em busca de novos acordos comerciais
No dia 19 de março, o Grêmio marcará seu próprio “Dia D” em uma importante etapa comercial. Essa data coincide com o jogo contra o Vitória, válido pela 7ª rodada do Campeonato Brasileiro, e representa o prazo estabelecido pela diretoria para realizar um feito inédito: apresentar o novo uniforme da New Balance já com um patrocínio máster e anunciar simultaneamente a venda dos naming rights da Arena.
A urgência do clube é justificada pela situação financeira delicada que enfrenta. Desde dezembro, o Grêmio não conta com um patrocinador principal, após o término do contrato com a Energia Bet e a controversa ruptura com a Alfa Bet — um conflito que resultou em uma disputa judicial com o clube cobrando exatos R$ 28.902.289,82 por parcelas em atraso.
A novidade nesta empreitada é que o Grêmio não está apenas oferecendo um espaço na camisa; a diretoria está vendendo um conjunto de ativos. Com a retomada do controle da gestão do estádio, o clube liberou a venda do nome da Arena. De acordo com Odorico Roman, a expectativa é obter entre R$ 15 milhões e R$ 25 milhões anualmente com essa venda.
Para o mercado, a meta estabelecida pelo Grêmio pode parecer ousada, mas é considerada viável. Isso se deve ao fato de que a Arena não possui um “apelido histórico” consolidado, como ocorre com outros estádios renomados, como o Mineirão ou o Maracanã, o que reduz a rejeição da marca por parte dos torcedores. Se o clube conseguir arrecadar os R$ 25 milhões, alcançará um nível semelhante ao do MorumBIS, em São Paulo, superando, portanto, a média anual de estádios modernos, como a Arena MRV, do Atlético-MG, que possui um contrato inicial de naming rights avaliado em R$ 71,8 milhões por um período de dez anos.
Além disso, o Grêmio está adotando um modelo de gestão comercial que, no Brasil, é frequentemente associado às Sociedades Anônimas de Futebol (SAFs): vender uma plataforma de engajamento que abrange a camisa do time, o estádio e o centro de treinamento, em vez de apenas um espaço publicitário estático. Atualmente, pelo menos quatro grandes empresas estão competindo pelo espaço principal na camisa do clube.
Se a diretoria conseguir unir as peças desse complexo quebra-cabeça financeiro a tempo de lançar a nova camisa da New Balance, poderá criar um impacto significativo na marca, transformando o uniforme em uma vitrine de luxo e o estádio em um produto rentável. No entanto, a ambição do Grêmio traz um risco: ao tentar amarrar um “pacotão perfeito”, o clube deve estar atento para não ultrapassar os prazos, o que poderia prejudicar o timing da narrativa nesta temporada.
