Queda da Inflação em Belo Horizonte
Fevereiro trouxe uma desaceleração significativa na inflação em Belo Horizonte. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma queda de 0,07%, após uma alta de 1,13% em janeiro. Os principais responsáveis por essa diminuição nos índices foram categorias que normalmente impactam o orçamento, como transporte, educação e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que tiveram menor influência nas variações de preços.
Os dados foram revelados pelo boletim mensal da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). Conforme o levantamento, os itens que mais ajudaram a reduzir o IPCA-BH foram pacotes turísticos, que despencaram 10,68%, gasolina comum, com uma diminuição de 2,87%, e ingressos para eventos esportivos, que tiveram uma queda expressiva de 23,50%.
Enquanto isso, alguns produtos e serviços apresentaram altas. As refeições fora de casa subiram 1,30%, tarifas de água aumentaram 4,85% e as mensalidades de cursos superiores tiveram um acréscimo de 3,01%. “A queda da inflação ocorreu devido à diminuição da pressão de itens que haviam subido substancialmente em janeiro, como tarifas de ônibus e o IPTU. Em fevereiro, esses fatores não exerceram pressão sobre os preços, resultando na queda de 0,07%”, detalhou Eduardo Antunes, gerente de pesquisa do Ipead.
Reduções Persistentes e Impacto do Carnaval
Outro aspecto positivo destacado pelo economista é a sequência de quedas na inflação, o que pode indicar uma diminuição do custo de vida em aspectos essenciais para a população. Antunes ressalta que a inflação em Belo Horizonte tem mostrado um comportamento de desaceleração há um bom tempo. Atualmente, a inflação acumulada nos últimos 12 meses é de 3,35% ao ano, comparado a quase 8% no mesmo período do ano passado. “O ritmo de crescimento dos preços está mais moderado”, acrescentou.
O último Carnaval, que normalmente atrai um grande número de visitantes e aumenta a demanda por viagens, contribuiu para a elevação de preços, confirmando que a queda da inflação tem um impacto real no bolso dos belo-horizontinos. “Os preços das viagens caíram, pois o período de festas de fim de ano, com as férias em janeiro, costuma elevar os valores dos pacotes turísticos. Após essa fase, surgem diversas promoções, e mesmo com o aumento da procura durante o Carnaval, as ofertas resultam na redução dos preços”, explicou Antunes.
Combustíveis e Preocupações Futuras
Os combustíveis, que são sempre uma preocupação para os moradores da capital, apresentaram surpresas positivas no relatório de fevereiro. O corte nos preços anunciado pela Petrobras foi um dos fatores que ajudaram a baixar os valores. Contudo, a redução dos preços nos postos não se deveu apenas a essa ação da estatal. “Belo Horizonte tem um comportamento peculiar em relação aos combustíveis. Muitas vezes, quando se espera uma queda, ela não ocorre; e quando se antecipa um aumento, os preços caem. Agora, os combustíveis caíram quase 3% em relação a janeiro”, observou o economista.
Porém, Antunes alerta que as tensões no Oriente Médio podem trazer incertezas que impactem os preços futuramente. “É importante ficar atento, pois a situação internacional pode influenciar de alguma maneira os custos repassados ao consumidor final”, finalizou.
