Reestruturação Através de Empréstimo Sindicalizado
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), renomada no setor de siderurgia e mineração, firmou um acordo com um consórcio de bancos para um empréstimo que pode chegar a até R$ 7,4 bilhões. O objetivo principal desse financiamento é reestruturar dívidas de curto prazo, especialmente em um cenário desafiador, onde a empresa registra um endividamento total de R$ 41,2 bilhões ao término de 2025, além de um prejuízo de R$ 1,5 bilhão.
A CSN está em busca de levantar entre R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões por meio da venda de ativos, estratégia que foi anunciada em janeiro deste ano. Para garantir o empréstimo, a empresa utilizará ativos que estão programados para serem vendidos. O contrato estipula um prazo de cinco anos e os juros terão como base a taxa SOFR.
Pressões Financeiras e Mercado Desafiador
Em um contexto econômico marcado pela elevação contínua das taxas de juros, a CSN enfrenta pressão significativa para reestruturar suas dívidas. A taxa de juros elevada tem se mostrado um fator complicador, dificultando o crescimento e os investimentos da companhia, como destacou Benjamin Steinbruch, presidente do Conselho de Administração da CSN, em declaração ao jornal Valor.
Ele enfatizou que, apesar das adversidades, a empresa não possui unidades deficitárias, mas está lidando com um ambiente econômico desafiador, onde a competição com produtos importados se torna cada vez mais intensa.
O plano de desinvestimentos inclui a venda de diversas divisões da empresa, notadamente a de cimentos e uma parte do setor de infraestrutura. Recentemente, informações veiculadas pela Bloomberg News indicaram que empresas como J&F, Votorantim e a chinesa Huaxin demonstraram interesse na divisão de cimentos da CSN, sinalizando um potencial mercado para a venda dos ativos.
Detalhes do Empréstimo
Os recursos obtidos através do empréstimo sindicalizado serão utilizados para “suportar o reperfilamento de dívidas de curto e médio prazos”, segundo um comunicado oficial da CSN. O novo financiamento foi formalizado através de uma “carta-compromisso”, e está sujeito à elaboração de contratos de crédito definitivos. Inicialmente, o valor do empréstimo está estipulado em US$ 1,2 bilhão (equivalente a R$ 6,4 bilhões), com a possibilidade de expansão em US$ 200 milhões.
Os bancos que participam desse sindicato incluem instituições de destaque como Morgan Stanley, Citi, Credit Agricole, BNP Paribas, HSBC, XP, Banco do Brasil e Bradesco. É importante notar que a CSN Inova Ventures, o braço de investimentos da CSN voltado para startups, será a responsável pela tomada desse empréstimo, com a CSN e a CSN Cimentos atuando como garantidoras.
Os termos da operação preveem um prazo de cinco anos e a taxa de juros será atrelada à SOFR, cerca de 3,6% ao ano, além de 6% ao ano. Este movimento é um passo estratégico para a companhia, que busca recuperar sua posição financeira e enfrentar os desafios do setor, garantindo a viabilidade de suas operações futuras.
